Sexta, 09 de Outubro de 2026
22°C 35°C
São Paulo, SP
Publicidade

Doulas ampliam humanização no fim da vida

Doulas do fim da vida oferecem apoio emocional, simbólico e espiritual a pessoas em terminalidade e seus familiares. Complementares às equipes de s...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
23/02/2026 às 15h22
Doulas ampliam humanização no fim da vida
FreePik

O PalliCast, podcast da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), apresentou um episódio dedicado a um tema ainda pouco conhecido no Brasil, mas cada vez mais relevante no cenário dos cuidados paliativos: a atuação das doulas do fim da vida.

Com mediação da Dra. Érika Lara, diretora de Comunicação da ANCP, o programa recebeu Glenda Agra, enfermeira, docente da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), integrante do Comitê de Enfermagem da ANCP e vencedora do segundo lugar do Prêmio Marcos Moraes de Pesquisa e Inovação para o Controle do Câncer, na categoria Cuidados Paliativos.

O episódio abordou o papel das doulas como figuras de apoio emocional, simbólico e espiritual a pessoas em processo de terminalidade e a seus familiares, contribuindo para ressignificar o fim da vida como um momento possível de presença, escuta, dignidade e sentido. Segundo Glenda, o conceito de doula da morte surgiu no final da década de 1990, inspirado na atuação das doulas do parto, a partir da reflexão de que o morrer, assim como o nascer, também demanda acompanhamento contínuo, acolhedor e humanizado.

As doulas do fim de vida não substituem profissionais de saúde nem realizam procedimentos clínicos. Sua atuação se dá no campo do cuidado relacional: estar ao lado, sustentar silêncios, ouvir histórias, apoiar rituais de despedida, facilitar conversas difíceis e oferecer presença contínua em um momento marcado por extrema vulnerabilidade.

Trata-se de um serviço — e não de uma profissão regulamentada — aberto a pessoas de diferentes formações, que passam por capacitação específica e aprofundamento pessoal sobre morte, luto e finitude.

Durante a conversa, Glenda compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, marcada pela perda precoce do pai e por um luto interrompido na infância. Essa vivência a levou a buscar formação em Psicologia, Enfermagem e, posteriormente, Cuidados Paliativos, até encontrar na doulagem do fim da vida a "peça que faltava" para integrar técnica, ciência e humanidade.

"A doula ocupa um espaço que muitas vezes não é preenchido nos serviços de saúde: alguém que tenha tempo disponível para estar com o outro de forma plena, sem pressa, metas ou protocolos".

Ela destacou ainda que, embora os cuidados paliativos defendam a integralidade do cuidado, a formação acadêmica na área da saúde segue fortemente marcada pelo tecnicismo e pela centralidade dos procedimentos. "Nesse contexto, as doulas ajudam a resgatar dimensões ancestrais do cuidar, como o toque respeitoso, o olhar atento, a escuta sem interrupções e a construção de momentos simbólicos significativos no fim da vida".

O episódio também discutiu como a sociedade brasileira ainda lida com resistência ao tema da morte e, por consequência, à atuação das doulas. Segundo Glenda, o desconhecimento gera receios equivocados, como a ideia de que as doulas competem com profissionais de saúde. "Na prática, elas atuam de forma complementar, ampliando a rede de cuidado e fortalecendo vínculos entre pacientes, famílias e equipes".

Entre as práticas desenvolvidas pelas doulas estão exercícios de atenção plena, meditação guiada, música, leitura, massagem, aromaterapia, apoio nos rituais de despedida, sempre respeitando a cultura, a espiritualidade e os valores de cada pessoa. A presença contínua, muitas vezes impossível para profissionais submetidos a jornadas extenuantes, é apontada como um dos principais diferenciais dessa atuação.

Para a ANCP, o episódio reafirma o compromisso da entidade em ampliar o debate sobre modelos de cuidado mais humanos, sensíveis e integrados. "Ao trazer à tona a atuação das doulas do fim da vida, o PalliCast convida profissionais de saúde, pacientes e familiares a refletirem sobre o morrer como parte da experiência humana e sobre a importância de não deixar ninguém só nesse processo".

O programa está disponível nas plataformas digitais e integra a série de conteúdos do PalliCast voltados à qualificação do Cuidado Paliativo no Brasil.

Para ouvir o episódio nº 58, basta clicar aqui.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Créditos: AGSSO
Sociedade Há 5 horas

FAP 2027 é divulgado e abre alerta para custos das empresas

Empresas podem contestar índice entre 1º e 30 de novembro; fator pode reduzir pela metade ou dobrar contribuição sobre riscos do trabalho e reforça atenção à gestão de saúde e segurança ocupacional

João Teles / Engenho Comunicação
Sociedade Há 7 horas

Kátia Cubel fala sobre reputação na infraestrutura

A jornalista e consultora Kátia Cubel (@katiacubel) participa do seminário Mulheres a Bordo 2026, em 15 de outubro, na ANTT, em Brasília, com palestra sobre reputação, posicionamento e credibilidade nos setores de logística e infraestrutura

(Reprodução/Pexels/Hannah Barata)
Sociedade Há 11 horas

Dia das Crianças reforça busca por brincadeiras offline

Pesquisas de 2026 mostram avanço dos brinquedos entre as intenções de presente para a data, enquanto celulares perdem espaço. Movimento acompanha busca por alternativas ao uso de telas e por momentos de convivência familiar.

Milca Santos
Sociedade Há 12 horas

Os desafios para industrializar minerais críticos

Seminário em Brasília reúne governo, parlamentares, empresários e especialistas para discutir desafios e apontar rumos para o país industrializar minerais essenciais para diversas finalidades, como a transição energética. Autoridades e empresários...

Imagem do Magnific/dimaberlin
Sociedade Há 1 dia

Consulta integrativa orienta rejuvenescimento após os 40

Médica à frente da Clínica TG, em Porto Alegre, Telma Giordani apresenta a avaliação que reúne pele, cabelo, fase hormonal, exames e hábitos antes da indicação de procedimentos, com plano de longo prazo e foco em resultados naturais