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Custos ocultos e rigidez impulsionam adesão de empresas a times especializados

Em cenários de custos elevados e escassez de profissionais, a necessidade de dar agilidade e eficiência à operação vem abrindo espaço para a contra...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
23/02/2026 às 11h50
Custos ocultos e rigidez impulsionam adesão de empresas a times especializados
Foto de Hannah Busing na Unsplash

Ao iniciarem fases de expansão ou novos projetos tecnológicos, empresas de diferentes portes têm se deparado com uma decisão estratégica: internalizar a operação ou contratar squads especializados. O que antes era visto apenas como uma escolha de gestão de pessoas é cada vez mais analisado sob a ótica da eficiência financeira, especialmente em áreas como desenvolvimento de software, segurança da informação e proteção de dados.

"Embora a equipe própria pareça oferecer maior controle, os custos ocultos e a rigidez operacional têm levado gestores a optarem pela terceirização", aponta Alexandre Antabi, diretor da Macher Tecnologia.

A análise de viabilidade econômica vai além dos salários. Antabi alerta que a formação de um time próprio exige investir em recrutamento, treinamento, equipamentos e estrutura de gestão. Além da curva de aprendizado, segundo ele, outro gargalo está no turnover, já que a saída de uma pessoa pode representar um custo de reposição significativo, somado ao prejuízo com a perda de talentos especializados.

A estruturação, por exemplo, de um Centro de Operações de Segurança (SOC, na sigla em inglês) interno exige investimento em infraestrutura, ferramentas e contratação de analistas em diferentes turnos. "Trata-se de uma operação complexa, cara e que demanda um grau de maturidade elevado para funcionar com eficiência. A terceirização, portanto, é uma saída para garantir o serviço sem inviabilizar o orçamento", diz o diretor.

Escassez na cibersegurança

O cenário é ainda mais desafiador em áreas onde a mão de obra é escassa, como a segurança cibernética, conforme identificado por relatórios como o Global Cybersecurity Outlook 2024, divulgado pelo World Economic Forum, em parceria com a consultoria americana Accenture.

No desenvolvimento de software, a lógica se repete. Tomando por base uma remuneração de R$ 10 mil para desenvolvedores de software sêniores no Rio de Janeiro, quando somam-se encargos, benefícios e custos indiretos, esse valor pode facilmente ultrapassar a casa de R$ 20 mil mensais para a empresa. E ainda há o tempo de ramp-up: a adaptação à cultura, aos processos e às ferramentas tecnológicas do time, que impacta o retorno esperado no curto prazo. Os squads externos, por sua vez, já vêm prontos para operar. Os times mais experientes são habituados a metodologias ágeis com experiência de múltiplos setores. Permitem às empresas escalar ou reduzir a operação conforme a demanda, sem impacto na folha de pagamento ou estrutura interna, começando a gerar valor quase de imediato.

O modelo "as-a-Service" na privacidade e proteção de dados

A busca por eficiência atingiu também a área de privacidade e proteção de dados e, embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exija a figura do Encarregado (DPO), o executivo da Macher Tecnologia explica que isso não significa que a empresa é obrigada a contratar um profissional dedicado full-time.

"Em muitos casos, especialmente em startups, scale-ups e empresas de médio porte, o modelo DPO-as-a-Service (DPaaS) é mais eficiente e estratégico. Ele oferece acesso a equipes multidisciplinares, de know-how técnico, jurídico e de governança, com alocação sob demanda, acompanhamento da legislação e resposta imediata a eventuais incidentes".

Antabi ressalta que o modelo garante a independência do DPO, mitigando riscos de conflito de interesses, "o que é essencial para manter a credibilidade e a conformidade do programa de privacidade".

Flexibilidade como tendência

Na visão do especialista, outro diferencial que tem atraído as empresas para a terceirização ou o modelo "as-a-service" é a possibilidade de contratação em formatos mais enxutos e sob medida, como a alocação part-time, ou meio período.

"Isso é especialmente relevante para empresas em fase inicial ou que possuam projetos pontuais, como desenvolvimento de Minimum Viable Products (MVPs), implementações específicas de segurança, análises de maturidade ou auditorias de proteção de dados. Nesses casos, consegue-se manter o investimento proporcional à necessidade do momento e usar o orçamento de modo mais inteligente", afirma.

Ao avaliar o custo real de um time interno versus um squad especializado, o especialista recomenda olhar além da remuneração dos profissionais. Ele lembra que o verdadeiro custo envolve tempo, riscos, overhead, perda de produtividade, exposição a falhas e complexidade de gestão. Em contrapartida, os squads especializados oferecem previsibilidade de custo, SLA de entrega, know-how consolidado, escalabilidade e, sobretudo, foco em resultado.

A decisão ideal varia conforme o estágio de maturidade da organização, cultura, grau de exposição a riscos regulatórios e o tipo de entrega esperada. "Em um mercado no qual agilidade, especialização e flexibilidade são diferenciais competitivos, o modelo se consolida como uma solução inteligente, econômica e sustentável", avalia.

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