
O cenário político em Brasília ganhou novas camadas de tensão nesta semana com a adesão do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) ao pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.
A proposta, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), mira o que pode ser um dos maiores escândalos financeiros recentes, envolvendo cifras bilionárias e uma rede complexa de triangulações bancárias.
Para Jerry, a gravidade dos fatos não permite omissão. "Não compactuamos com nenhum esquema de corrupção. O caso do Banco Master precisa ser investigado com seriedade, transparência e até as últimas consequências", afirmou o parlamentar maranhense, defendendo a segurança rigorosa dos responsáveis.
No centro de pressão por uma CPI é uma operação que desafia a lógica contábil: a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes — os chamados "ativos podres" — do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).
A transação chegou a avanço em março de 2025, quando o estatal BRB adquiriu 58% das ações da Master. No entanto, o negócio foi barrado pelo Banco Central (BC) em setembro, sob a justificativa de “risco de sucessão”. Para os pesquisadores, o que o BC evitou foi a contaminação definitiva de uma instituição pública por um rombo mascarado.
As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), iniciadas ainda em 2024, desenham um esquema de engenharia financeira sofisticada. O roteiro, segundo a PF, funcionava em três etapas:
1. O Empréstimo: O Banco Master realizou empréstimos para empresas específicas.
2. O Desvio: Em vez de usar o capital, as empresas aplicaram o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos.
3. A Ocultação: Suspeita-se que esses fundos pertenceram às "laranjas" do banqueiro Daniel Vorcaro. O dinheiro era então usado para comprar papéis sem valor de mercado, criando um ciclo para esconder o déficit real da instituição.
“O dado mais relevante são esses R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes jogados para dentro de um banco público”, avalia Márcio Jerry.
O caso Master deixou de ser um problema apenas bancário para se tornar uma crise institucional. As ramificações do escândalo já atingiram nomes grandes da Política, Supremo Tribunal Federal (STF) , do Tribunal de Contas da União (TCU). A atuação (ou a falta dela) dessas instituições no controle da crise tem sido alvo de diversas contestações no Congresso.