Neste domingo, 4 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial do Braille, marcando a importância desse sistema linguístico para a inclusão e o acesso ao conhecimento. O método revolucionou a leitura e a escrita para pessoas cegas. O Brasil apresenta um número expressivo de pessoas com deficiência visual - 14,4 milhões - segundo o Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7,9 milhões de brasileiros; no Maranhão, são 328,8 mil pessoas.
Em um cenário de desafios, e ao mesmo tempo, de oportunidades de inclusão, um projeto desenvolvido no município de Caxias foca na criação de práticas pedagógicas acessíveis no ensino de Ciências para estudantes com deficiência visual da rede pública. Intitulada 'Glossário em Braille para o Ensino de Ciências', o trabalho foi desenvolvida pela pesquisadora Mariana da Silva Moura, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), sob orientação da professora Fabrícia da Silva Machado.
A pesquisa investigou a utilização de um glossário em braille, como recurso pedagógico para alunos dos anos finais do Ensino Fundamental. A proposta integra um conjunto de 33 projetos sobre o tema, apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), no último biênio.
Para elaborar o material, a pesquisadora identificou termos acadêmicos recorrentes no ensino de Ciências. Esses termos foram organizados em códigos braille, resultando na elaboração de um glossário físico e digital. O projeto foi testado com estudantes do 7º ano, com baixa visão e que estavam em processo de alfabetização em braille.
Para a pesquisadora, a experiência foi determinante no campo acadêmico e na sua formação docente. “Essa pesquisa na área da Educação Especial ampliou minha aprendizagem, ao me aproximar da realidade social e dos desafios educacionais do município. Como futura docente em Química, entendo que a educação inclusiva é um tema permanente e importante, e fico feliz por ter participado de uma iniciativa exitosa e inovadora, que contribui para auxiliar estudantes com cegueira e baixa visão”, destacou Mariana Moura.
O trabalho teve início com o mapeamento das escolas públicas de Caxias-MA que possuem alunos com deficiência visual, totalizando 21 instituições identificadas. Esse levantamento foi realizado a partir da obtenção de informações junto ao Centro de Referência Municipal Maria Luíza, instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência no município, que atua como suporte técnico e pedagógico às escolas e às famílias. A partir desse mapeamento, foram levantados os conhecimentos prévios dos estudantes e os principais termos acadêmicos utilizados no ensino de Ciências.
Os resultados mostraram impactos positivos no ensino-aprendizagem, promovendo maior compreensão dos conteúdos e mais autonomia aos estudantes. O glossário também possui uma versão em português com letra ampliada para alunos com baixa visão.
A pesquisa contou com o apoio técnico de Amélia Vieira Viana, tradutora e revisora de braille, que auxiliou na construção do glossário, assegurando a qualidade e correção do material produzido. O estudo também teve colaboração do estudante Kayron Mendes de Conceição.
"Este estudo amplia as possibilidades de aprendizagem, reduz barreiras educacionais e contribui para o fortalecimento da educação inclusiva, um dos grandes desafios da rede pública de ensino. A Fapema se orgulha em somar com iniciativas como estas", pontua o presidente da Fundação, Nordman Wall.
Acessibilidade e inclusão
Outras propostas incluem uma startup de acessibilidade, balança digital, medidor de temperatura para peixes, aparelho guia, impressão 3D no ensino tátil, laboratório de audiovisual com elementos que promovem acessibilidade e outras iniciativas para promover autonomia e acessibilidade a este segmento.
Homenagem
O Dia Mundial do Braille foi criado em 2018, pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data faz homenagem ao aniversário do francês Louis Braille (1809-1852), criador do sistema de escrita e leitura tátil para pessoas com deficiência visual. O método de alfabetização é composto por sinais gravados em relevos. Eles permitem o registro de letras, números e qualquer outro tipo de símbolo necessário para a comunicação.