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Glosas iniciais disparam e travam caixa de hospitais

A escalada das glosas iniciais têm pressionado o caixa de clínicas e hospitais em todo o país e exposto um desequilíbrio estrutural no modelo opera...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
11/12/2025 às 14h20
Glosas iniciais disparam e travam caixa de hospitais
Freepik

As glosas iniciais das operadoras de planos de saúde vêm aumentando no Brasil: no segundo trimestre deste ano, elas foram de 14,66%. Nesse mesmo período de 2024, a porcentagem era de 12,45%, ao passo que, em 2023, o índice correspondia a 9,27%, segundo dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

O termo "glosa inicial" faz referência à recusa ou bloqueio preliminar de um valor que foi apresentado para pagamento. Ou seja, quando uma operadora de saúde recebe uma fatura, nota fiscal ou pedido de reembolso de um hospital, ela faz uma primeira análise.

Se encontra algum erro, falta de documento ou problema no serviço prestado, ela rejeita, de forma total ou parcial, o valor solicitado. É possível, no entanto, recorrer e aguardar o processo definitivo de conferência e pagamento. A glosa pode atingir diferentes procedimentos prestados por hospitais aos pacientes, como exames, consultas, cirurgias, internações, materiais e medicamentos.

"O aumento apontado pela Anahp reflete um ambiente que perdeu equilíbrio", avalia Vinicius Franco, cofundador da Datasigh. "Do ponto de vista operacional, vemos diariamente, em diferentes instituições, que a combinação de inflação médica, auditorias mais duras e processos manuais tornou o fluxo de faturamento muito mais vulnerável. Qualquer detalhe fora do padrão vira glosa. O número de 14,6% não é um desvio, é um indicativo de que o modelo atual deixou de sustentar a complexidade do setor."

O relatório da Anahp chama a atenção para o fato de que a glosa que realmente se justificou ao final da análise no terceiro trimestre de 2025 foi de apenas 1,97%. Ou seja, dos 14,6% de glosas iniciais, apenas uma minoria deixa de ser paga, evidenciando que grande parte do valor de uma fatura fica retido por questões que não se sustentam ao término do processo.

De acordo com Franco, essa situação prejudica o fluxo de caixa dos hospitais, que enfrentam dificuldades para receber os valores das operadoras com rapidez — o relatório da Anahp aponta que o prazo médio de recebimento ultrapassa os 79 dias.

"O fluxo de caixa dos hospitais encurta, obrigações como folha, insumos e fornecedores passam a competir pelo mesmo dinheiro e investimentos assistenciais deixam de caber no ciclo. É uma compressão direta e imediata da operação, que se agrava mês após mês quando não há regularidade no recebimento", esclarece Franco.

O que os hospitais podem fazer para diminuir as glosas iniciais? Para o executivo, a resposta está na tecnologia, no uso de dados estruturados e processos com padrões claros. Soluções tecnológicas otimizam o ciclo de receita, reduzem divergências, melhoram a qualidade das informações enviadas e criam uma base concreta que favorece acordos e revisões mais consistentes, além de fazer com que o diálogo entre prestadores e operadoras deixe de ser subjetivo, diz ele.

Franco afirma que diferentes instituições têm buscado aprimorar rotinas de auditoria preventiva e digitalização do faturamento como forma de reduzir o índice de glosas e aumentar previsibilidade operacional. A tendência também tem estimulado a adoção de plataformas integradas que conectam prontuário, autorização, faturamento e indicadores em tempo real.

Para exemplificar o ponto de vista, o executivo cita uma plataforma da Datasigh, que integra área clínica, administrativa e financeira, valida automaticamente as regras de cada operadora antes do envio das faturas e automatiza etapas críticas do faturamento.

"A plataforma também identifica glosas rapidamente com apoio de inteligência artificial (IA) e automações, permitindo que o recurso seja feito no tempo certo e com mais assertividade. O resultado é menos retrabalho, menos perda financeira e mais previsibilidade", comenta.

"O ponto central é saber que não se trata apenas de acelerar o envio das contas, e sim de garantir que elas nasçam corretas, padronizadas e sustentadas por processos integrados. As instituições que estruturarem dados, automatizarem etapas críticas e conectarem suas áreas assistenciais e administrativas serão justamente as que passarão por esse ciclo com maior capacidade de investimento", conclui Franco.

Para saber mais, basta acessar o site da Datasigh: https://datasigh.com.br/

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