
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação dos deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Bosco Costa (PL-SE) e Pastor Gil (PL-MA), acusados de cobrar propina em troca da destinação de emendas parlamentares.
O pedido, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, reitera denúncias apresentadas em agosto, que apontam os três parlamentares por corrupção passiva e organização criminosa. Segundo a PGR, eles teriam recebido mais de R$ 1,6 milhão em propina para direcionar recursos ao município de São José de Ribamar (MA).
As investigações indicam que o grupo cobrava 25% de comissão sobre o valor das emendas, desviando recursos públicos por meio de contratos com empresas de fachada. O suposto operador financeiro do esquema seria o agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan, responsável por intermediar as cobranças a prefeituras beneficiadas.
Em manifestação enviada ao STF, a PGR afirma que as provas reunidas — como diálogos interceptados e documentos apreendidos — demonstram a existência de uma organização criminosa liderada por Maranhãozinho. A Procuradoria também pediu a perda dos mandatos parlamentares e o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O caso está sob relatoria do ministro Cristiano Zanin e marca a primeira denúncia apresentada contra parlamentares durante a gestão de Paulo Gonet à frente da PGR.
Além dos deputados, outras seis pessoas também são denunciadas por envolvimento no esquema, entre elas Abraão Nunes Martins Neto, Adones Nunes Martins, Antônio José Silva Rocha e Thalles Andrade Costa.
O inquérito aponta que o dinheiro das emendas era repassado aos parlamentares, enquanto o grupo de Pacovan recebia uma comissão pelas operações ilícitas.
Repercussão política
O uso político das emendas parlamentares, é uma tema sensível em Brasília.
A denúncia atinge diretamente o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tenta consolidar uma imagem de oposição ética e combativa.
No Maranhão, o episódio é mais um abalo na base bolsonarista, já marcada por disputas internas e investigações anteriores envolvendo lideranças regionais e nacionais.