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SUS pode incorporar novo tratamento para doença renal

Sociedade pode contribuir para avaliação de tratamento que pode reduzir necessidade de diálise e aliviar pressão sobre o sistema público de saúde, ...

Carlos Leen
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino
10/11/2025 às 16h35
SUS pode incorporar novo tratamento para doença renal
Banco de imagens Bayer

O Governo Federal abriu uma consulta pública para avaliar a incorporação da finerenona ao Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento é indicado para pessoas com doença renal crônica (DRC) associada ao diabetes tipo 2 e pode ajudar a retardar a progressão da doença, reduzindo complicações e a necessidade de diálise.

A iniciativa da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) acontece em um momento em que 16,8 milhões de brasileiros vivem com o diabetes, uma das principais causas da Doença Renal Crônica (DRC) no Brasil. O número pode chegar a 23,2 milhões de pacientes até 2045 e até 40% deles podem desenvolver algum grau de comprometimento nos rins ao longo da vida. Sem tratamento adequado, o diabetes pode levar à insuficiência renal, exigindo diálise ou transplante e aumentando os riscos de complicações graves.

Especialistas alertam, ainda, que o Brasil passa por um momento crítico na saúde renal pública, em que mais de 150 mil pessoas dependem da diálise, enquanto clínicas conveniadas ao SUS relatam dificuldades financeiras e risco de fechamento — situação nomeada como a "crise humanitária da diálise" pela Sociedade Brasileira de Nefrologia. "O Brasil enfrenta um desafio crescente com a Doença Renal Crônica. É fundamental que novas tecnologias em saúde sejam avaliadas de forma criteriosa, com base em evidências científicas e no impacto real para os pacientes e para o SUS. Algumas dessas terapias podem contribuir para reduzir a sobrecarga do sistema público de saúde", afirma José A. Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Estudos recentes com finerenona mostram um potencial de redução de risco de desfechos renais de 23%, redução de risco de progressão para diálise e/ou transplante de 20% e inclusive, uma redução de 30% da albuminúria quando associada ao tratamento padrão já no 14º dia (importante marcador de risco renal e cardiovascular). Novas terapias podem adiar a necessidade de diálise e preservar a saúde dos rins e do coração, reduzindo os custos para o sistema, além de proporcionar mais esperança e menos complicações decorrentes da DRC para os pacientes.

"A consulta pública é uma oportunidade importante para que profissionais de saúde, pacientes e cidadãos em geral contribuam com esse debate. A participação da sociedade fortalece o processo de avaliação e garante mais transparência nas decisões sobre incorporação de tecnologias ao SUS", completa Dr. Moura Neto.

Todo cidadão pode participar da consulta pública, opinando sobre a inclusão do medicamento. Os interessados devem acessar o site da Conitec até o dia 11 de novembro, realizar o cadastro necessário e contribuir.

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