
Alguns setores à esquerda andam vibrando com as notícias que enfraquecem a candidatura de Baleia Rossi (MDB) na eleição da Câmara, como a liberação de voto que a Executiva do DEM aprovou ontem à noite, impondo uma derrota particular ao Rodrigo Maia. Para este esquerdismo, o suposto enfraquecimento de Baleia comprovaria o acerto do que é a tática mais importante no momento para eles: derrotar a politica da Frente Ampla. Bolsonaro neste caso, seria mero detalhe.
Para o esquerdismo (doença infantil do Comunismo), a saída é radicalizar, é “revolucionar”. No caso da disputa da Câmara, isso significa tão somente marcar posição com uma candidatura olímpica e assim “acumular” forças para uma futura vitória. Pode ser bonito e dialogar com nossos melhores idealismos, mas é ao mesmo tempo infantil e irreal. Se formos mais radicais: é irresponsável, diante de uma pandemia e de um governo assassino que tenta a todo custo assaltar o parlamento.
A esquerda sofreu uma derrota enorme nos últimos anos. Não freamos um impeachment de Dilma, não evitamos a prisão absurda do Lula, não evitamos a vitória de Bolsonaro em 18 e agora em 21, em meio a tudo o que ele faz contra a vida do povo e da nação, ele está disputando a eleição para o comando do parlamento brasileiro palmo a palmo. Qual foi a parte que diz que “estamos na defensiva” este esquerdismo não entendeu?
A dificuldade de se conseguir uma vitória contra Bolsonaro na Câmara neste momento fala exatamente da necessidade da máxima unidade contra a extrema direita bolsonarista. E os partidos do campo progressista sabem que vai ter trairagem no seu terreno (PSB e PDT sobretudo) e que no terreno da centro direita à direita, no centrão, a trairagem é a essência nas relações políticas. O fisiologismo comanda.
O parlamento é conservador em regra e flerta com facilidade com ideias reacionárias. Mantê-lo numa posição minimamente civilizada e republicana, independente e defensor da democracia liberal, é o que temos pra hoje. Já experimentamos em passado recente de trágica memória a gestão de Eduardo Cunha e vivemos o esgoto da política comandando a pauta da Câmara.
Com Baleia as forças e ideias progressistas não avançam, em nada. Com Lira e Bolsonaro a gente perde, e muito. Quando estamos jogando no campo de defesa, armamos nosso time pra se defender, e nosso maior objetivo é não sofrer gols.