
O Palácio do Planalto começou a redistribuir cargos federais após a derrota na votação da medida provisória (MP) que aumentava impostos sobre bancos digitais e lucros de grandes empresas. A ação, comandada pela ministra Gleisi Hoffmann (SRI), mira parlamentares que contrariaram o governo e premia os que se mantiveram alinhados.
A medida é uma reação direta à derrubada da MP que previa elevar a CSLL das fintechs de 9% para 15% e aumentar de 15% para 20% a taxação sobre os Juros sobre Capital Próprio (JCP). O texto, considerado essencial para manter o equilíbrio fiscal e sustentar a arrecadação em 2026, foi rejeitado por 251 votos a 193, impondo uma derrota significativa ao Planalto.
Logo após o revés, o governo iniciou um pente-fino nas nomeações políticas e começou a exonerar indicados de deputados e senadores que votaram contra a MP. As primeiras demissões atingiram superintendências do Ministério da Agricultura no Pará, Paraná, Minas Gerais e Maranhão, além do Dnit em Roraima.
Segundo fontes do governo, as exonerações também atingem cargos de confiança na Caixa e nos Correios — embora essas dispensas não apareçam no Diário Oficial.
O PSD foi o partido mais afetado pela medida. Apesar de ter dado uma das maiores parcelas de votos favoráveis ao governo (20 dos 38), a legenda sofreu baixas em cargos regionais. Deputados da sigla classificaram a ação como “pouco inteligente” e “sem sentido”.
A próxima fase da reestruturação envolverá reuniões entre Gleisi Hoffmann e lideranças do Congresso para redistribuição dos postos vagos entre parlamentares fiéis. Segundo interlocutores, o recado do Planalto é claro: quem votar contra o governo perderá espaço.
Com impacto estimado em R$ 20 bilhões no Orçamento, a MP era vista como essencial para evitar cortes de gastos e investimentos em 2026. Sem ela, o governo precisará buscar novas fontes de receita para manter o equilíbrio fiscal no ano eleitoral.