Imperatriz amanheceu em clima de festa popular.
Na cidade em que o agronegócio pulsa forte e onde, há pouco tempo, Jair Bolsonaro colhia aplausos, o presidente Lula retornou para entregar 2.837 casas do programa Minha Casa, Minha Vida, um investimento federal de R$ 358,6 milhões que vai mudar a vida de cerca de 11 mil pessoas.
Mas, além das chaves nas mãos dos novos moradores, o evento trouxe outro símbolo de peso: o gesto político de André Fufuca.
O ministro do Esporte, jovem deputado do PP maranhense, subiu ao palanque em meio à pressão do próprio partido — que lhe dera prazo para deixar o governo — e fez uma confissão pública que soou como desabafo:
“Em 2022, eu cometi um erro. Mas agora em 2026, pode ser que o meu corpo esteja amarrado, mas a minha alma, o meu coração e minha força de vontade estarão livres para brigar e para ajudar Luiz Inácio Lula da Silva”, disse, arrancando aplausos e olhares surpresos.
Fufuca optou por permanecer ao lado de Lula, ainda que isso lhe custe o conforto partidário.
O PP e o União Brasil, que recentemente anunciaram o desembarque do governo e até flertaram com a ideia de anistiar Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe, determinaram que seus filiados com cargos deveriam pedir demissão.
Fufuca e Celso Sabino, do Turismo, decidiram seguir outro caminho. Ambos sinalizaram que preferem enfrentar o processo de expulsão a romper com o projeto de governo que integram.
A cena em Imperatriz é a imagem de uma encruzilhada política: de um lado, partidos que hesitam entre o poder e a coerência; do outro, um presidente que consolida alianças em territórios antes hostis.
Em 2022, Bolsonaro venceu na cidade com 54,8% dos votos, e no ano seguinte, voltou duas vezes ao município para tentar impulsionar sua candidata à prefeitura.
A vitória, porém, ficou com Rildo Amaral (PP), aliado do governador Carlos Brandão, mostrando que o mapa político do Maranhão é menos previsível do que os números sugerem.
Com Lula de volta ao palco e Fufuca assumindo publicamente seu alinhamento, Imperatriz testemunhou algo mais sutil que um ato administrativo: um movimento de realinhamento político.
Em tempos de ventos incertos, a fala do ministro soou como quem abre a janela e deixa o ar entrar.
