
Reportagem de Mônica Bergamo, publicada na Folha de S.Paulo, revela que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou recados a interlocutores pedindo que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), "feche a boca" para não atrapalhar as negociações em torno de uma possível anistia e redução de penas.
Segundo a colunista, um dos mensageiros seria o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-SP), que visitou Bolsonaro recentemente. Ele, no entanto, nega que vá se encontrar com Eduardo, que atualmente está nos Estados Unidos.
A dificuldade é que pai e filho não podem se falar diretamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ambos são investigados no inquérito que apura tentativa de coação à Justiça, desde que Eduardo viajou ao exterior para articular sanções contra o Brasil e contra magistrados da Corte.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro mantém a ofensiva política e desafia não apenas o Supremo, mas também partidos e aliados próximos ao pai. Nas últimas semanas:
Lançou-se candidato à Presidência da República sem aval de Bolsonaro;
Atacou o Centrão e o próprio PL, partido dele e do ex-presidente;
Comemorou sanções contra a esposa de Moraes;
Chamou ministros do STF de "mafiosos";
E ironizou Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, afirmando não ter "abdicado de tudo para trocar afagos mentirosos com víboras nem se sujeitar aos esquemas espúrios dos batedores de carteira da ocasião".
A escalada de Eduardo preocupa aliados, que veem as críticas como um fator de desgaste para Bolsonaro num momento em que tenta costurar saídas políticas e reduzir riscos no Judiciário.