
Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 50 milhões de recursos da Educação em municípios do Maranhão.
Segundo as investigações, integrantes da rede de fraudes cobravam propina de até 35% sobre o valor dos contratos, percentual acertado diretamente com servidores públicos locais.
As suspeitas surgiram após a análise de mensagens obtidas nos celulares de dois intermediários do grupo. Nos diálogos, eles discutem modalidades de contratação, como a inexigibilidade de licitação, e detalham a divisão de propinas, classificadas em alguns casos como “presentinhos” destinados a secretários municipais.
Um dos trechos citados pelos investigadores aponta para um acordo em Presidente Dutra (MA), no qual um dos intermediadores afirma: “ficou em 35”, referência à porcentagem desviada do contrato.
Outro diálogo faz menção ao município de Estreito (MA), onde o pagamento seria entregue à secretária de Educação antes de uma reunião, para garantir que o grupo tivesse apoio.
A ofensiva da PF, batizada de Operação Lei do Retorno, foi deflagrada em 19 de agosto. Na primeira fase, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, com apreensão de carros de luxo, joias, R$ 54 mil em espécie e um cheque de R$ 300 mil.
Dois dias depois, a segunda fase ampliou a operação para 94 mandados, resultando na apreensão de cerca de R$ 2,5 milhões em dinheiro, cheques e veículos.
Entre os investigados estão servidores públicos e um casal de políticos maranhense, suspeitos de articular os contratos fraudulentos e receber parte das vantagens indevidas. A PF sustenta que o grupo funcionava como uma organização criminosa estruturada, operando em diferentes cidades do estado.