O Maranhão atravessa, neste agosto político, um momento de intrigas palacianas, ensaio de ruptura e reposicionamento de forças, como não se via desde a transição de 2014.
O fio condutor: a disputa pelo Palácio dos Leões em 2026.
A tensão deixou os bastidores quando Marcus Brandão, irmão do governador e presidente do MDB estadual, publicou um vídeo de seis minutos nas redes sociais acusando o vice de não conter aliados que, segundo ele, agiram com “revolta” e “instinto de perseguição” contra o chefe do Executivo.
Marcus foi além: apontou o dedo para Dino e seu grupo político, sugerindo articulação no Judiciário para afastar o governador por até 90 dias — acusações que incluem espionagem, uso indevido de sistemas do Executivo e “provas fabricadas”.
O episódio turbinou especulações sobre uma possível reviravolta jurídica no estado, capaz de reordenar o tabuleiro e — talvez — obrigar Brandão a cumprir um acordo tácito que previa a sucessão por Camarão.
Até aqui, porém, o governador mantém o discurso de que ficará até o fim do mandato e elegerá o sucessor. “Deus está ao lado dos bons. Os satanás que perseguem vão ficar no inferno”, disse recentemente, ao lado do sobrinho.
Enquanto isso, o vice avança.
Na semana passada, Camarão voltou de Brasília com endosso explícito de Edinho Silva, presidente nacional do PT — que postou nas redes uma foto com Camarão, carimbando-o como “nosso pré-candidato a governador” — e com garantias de apoio de Luciana Santos (PCdoB) e Ana Paula Lobato, que assume o comando do PSB no Maranhão, retirando o controle do partido das mãos de Brandão.
Na última sexta, abriu em Caxias a nova temporada do “Diálogos pelo Maranhão”, formato que ajudou a alavancar Dino em 2014 e que agora pretende usar como vitrine programática e instrumento de mobilização popular. “É aqui que o novo ciclo se inicia para o Maranhão com Camarão & Lula”, disse, evocando a memória de Humberto Coutinho.
O quadro que se forma é de um Maranhão polarizado não entre governo e oposição, mas dentro do próprio campo governista.
E, como em toda boa história de intriga, a política se mistura à liturgia do poder e a construção de narrativas: Brandão insiste no script de que controla o enredo, Camarão atua como protagonista de virada, e Dino, mesmo do alto do STF, é citado como personagem que “olha por nós” e cuja sombra pesa no roteiro.
A carruagem passa, mas, no asfalto político maranhense, a poeira não assenta tão cedo.