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28 de Julho: quando o Maranhão decidiu ser Brasil
Celebrar o 28 de julho é afirmar que o passado importa. E que a história, quando bem contada, é uma ferramenta poderosa para imaginar — e lutar por — um futuro melhor.
28/07/2025 11h52
Por: Carlos Leen

Nem toda independência começa com um grito à beira de um riacho, espada erguida no ar. Às vezes, ela vem marchando do interior, vencendo quilômetros de resistência, atravessando conflitos e acordos silenciosos. No Maranhão, a independência do Brasil não foi decorativa — foi suada, estratégica e, acima de tudo, feita por gente que sabia exatamente o que queria: liberdade.

Em 28 de julho de 1823, a província do Maranhão declarou sua adesão oficial à Independência. São Luís, até então um dos últimos bastiões do poder português, resistia com firmeza, sob o comando do Major João José da Cunha Fidié, militar realista. Do outro lado, tropas vindas do Ceará, Piauí e interior do Maranhão se aproximavam da capital em marcha lenta, porém determinada.

O desfecho dessa tensão veio com a chegada do escocês Lorde Thomas Cochrane, estrategista de guerra contratado por Dom Pedro I. Com manobras navais ousadas e uso inteligente do blefe, Cochrane conseguiu forçar a rendição das tropas portuguesas sem um grande confronto. Uma vitória sem tanto barulho, mas com enorme peso político e simbólico para o Brasil que nascia.

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Mas sejamos justos: a história não pertence apenas aos generais ou aos lordes de uniforme. Essa conquista também foi construída por povos indígenas, negros escravizados, mestiços, homens e mulheres do povo — muitos sem nome nos livros, mas com papel decisivo na vida real. Gente que acreditava num futuro diferente e se jogou no processo.

A Data Magna do Maranhão carrega tudo isso. É feriado desde o século XIX, mas precisa significar mais do que um dia de folga. Precisa ser ato de memória e consciência coletiva. Porque entender o 28 de julho é também entender quem somos, de onde viemos e quais lutas nos trouxeram até aqui.

É verdade que a independência política não significou liberdade plena. A estrutura escravocrata permaneceu, e a desigualdade seguiu firme. Mas foi um passo — um entre tantos — na longa caminhada para a construção de uma identidade nacional. E o Maranhão teve papel de destaque, por decisão própria, com coragem e protagonismo.

Celebrar o 28 de julho é afirmar que o passado importa. E que a história, quando bem contada, é uma ferramenta poderosa para imaginar — e lutar por — um futuro melhor.