Política Opinião
Artigo de Clayton Noleto: ''Os desafios de Lula''
Que venham os resultados. Rumo ao hexa e a um novo momento da realidade brasileira.
04/12/2022 13h43 Atualizada há 4 anos
Por: Carlos Leen
Foto: Divulgação

Alguns dizem que a vitória do novo presidente foi apertada. Esquecem-se, porém, por má-fé ou por desaviso, que o próximo mandatário da República conseguiu a maior votação já obtida para o cargo, mesmo tendo enfrentado uma das mais difíceis - senão a mais adversa - campanha da história do Brasil - tendo se digladiado com uma poderosa máquina administrativa e ideológica, sem contar a rede inclemente de comunicação baseada nas fake-news, financiada, inclusive, por parte nada desprezível (pelo menos quantitativamente) da chamada elite econômica nacional. Ou seja, Lula obteve uma vitória que, sem representar clichê, foi histórica, baseada em sua trajetória pessoal digna de filme hollywoodiano, a lembrança carregada de esperança de seus dois mandatos à frente do país e a justificada rejeição a um presidente (sentimento que resultou na ampliação da base de apoio ao eleito).

Agora, a grande medida de força será a de governar num cenário carregado de ideologização irracional, interesses conflitantes (dentro do próprio grupo que ajudou a alcançar o êxito eleitoral, inclusive) e expectativas bem acima da superfície."

Agora, a grande medida de força será a de governar num cenário carregado de ideologização irracional, interesses conflitantes (dentro do próprio grupo que ajudou a alcançar o êxito eleitoral, inclusive) e expectativas bem acima da superfície.

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A primeira grande necessidade é a de pacificar o país, num esforço hercúleo para diminuir a temperatura e garantir ao máximo a estabilidade para dirigir. Para tanto, terá de alcançar conquistas econômicas que conciliem ambiente  favorável e investimentos em programas sociais que atendam às íntegras exigências dos mais vulneráveis, cujos números envergonham a nação. O novo executor já demonstrou que é capaz desse tipo de êxito, visto que, nos primeiros mandatos, harmonizou a relação capital e trabalho. Em outras palavras, agregar estabilidade econômica, crescimento e investimentos sociais, que não são excludentes, pelo contrário. 

O povo brasileiro está cansado e já passou da hora de substituir verborragia, boçalidade, insensibilidade, letargia e visão atrasada por mentalidade construtiva, colaborativa, sensível e vitoriosa."

Concomitantemente,  lidar com um Congresso acostumado a concessões desmedidas para garantir a governabilidade. Lembrando que a sociedade espera mudanças na relação entre o governo, Congresso e os partidos, alterando, por exemplo, a forma de concessão de espaços na estrutura federal e a abordagem quanto ao famigerado orçamento secreto. Será necessária uma habilidade gigantesca, mas o ex-metalúrgico também já lidou com situações semelhantes e conseguiu sucesso, apesar de percalços.

Imprescindível, igualmente, aplicar recursos em infraestrutura, visando a superar o atraso brasileiro nesse campo, que dificulta muito o crescimento, além, é claro, de gerar emprego e renda, um círculo virtuoso já experimentado.

Possivelmente, a tarefa menos difícil é a de reposicionar o Brasil no cenário internacional. A eleição de Lula, por si só, em razão do seu grande prestígio mundo afora, já começou a surtir efeito muito positivo. Respeito verdadeiro ao Meio Ambiente e aos Direitos Humanos resultará em fortalecimento de nossa representação no planeta, o que vai gerar, por sinal, atração de capital. 

Outro caminho a ser trilhado é o de fazer as reformas a tanto tempo esperadas, num ambiente de diálogo permanente, arbitrando os interesses das classes sociais, a fim de fazer com que as absurdas desigualdades sejam enfrentadas com visão de médio e longo prazos, sem deixar de lado as emergências. 

Óbvio que é uma quantidade de trabalho que pode até parecer inexequível, mas, com dedicação, seriedade e comprometimento, é, sim, possível ultrapassar essas barreiras. A construção de um país mais justo e desenvolvido deve ser feita de forma gradual, progressiva e constante. Conseguindo indicar o rumo e liderar pelo exemplo, Lula imprensará os radicais ideológicos, sejam a que campo político pertencerem, e unir todos aqueles que desejam produzir num espaço estável e que gere confiança. O povo brasileiro está cansado e já passou da hora de substituir verborragia, boçalidade, insensibilidade, letargia e visão atrasada por mentalidade construtiva, colaborativa, sensível e vitoriosa.

Que venham os resultados. Rumo ao hexa e a um novo momento da realidade brasileira.

Mãos e pés à obra!