Nos anos 60, um tal de rock in roll tomaria conta do Reino Unido e EUA, chegando com força no Brasil tropical através do primeiro movimento musical do nosso país, no pós guerra: a Jovem Guarda.
Por conta e risco da então TV Record, um programa de TV idealizado pra tapar o buraco da programação feito pela ausência dos jogos de futebol, fez tanto sucesso que explodiu na cabeça da moçada, ditando moda e comportamento. Nele comparecia astros e gênios da música como Roberto Carlos e seu parceiro Erasmo.
O nome do programa era "Jovem Guarda" e nasceu da frase do líder russo Lênin: “O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada”; O movimento também era denominado iê-iê-iê em referência a música "She loves you" dos Beatles. Erasmo Carlos, Wanderleia, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Martinha e Renato e Seus Blue Caps, entre outros iniciaram e brilharam em suas carreiras ali.
Como tudo que sobe, um dia tem desce. Esgotado o formato do programa a partir do início dos 70, Erasmo enfrentaria certo ostracismo e preconceito de outros nomes da música popular que viam alienação e modismo no movimento da Jovem Guarda.
Foi aí que ele enveredou pelos caminhos do movimento hippie e decidiu gravar o disco “Carlos, Erasmo”
O disco "Carlos, Erasmo" (1971) é hoje considerado uma jóia do pop-rock brasileiro, porém, na época, a Jovem Guarda tinha acabado e seus integrantes eram malhados pela crítica e por outros artistas.
Tem o filme e tem o livro. “Minha fama de mau” (lançado em 2019) é o longa-metragem que conta em detalhes essa trajetória (disponível no HBO Max) e é baseado no livro de mesmo nome, escrito pelo próprio Erasmo e lançado pela Cia das Letras. Confira.
O resto, como se diz por aí, é História.
Erasmo, pioneiro criador do rock brasileiro: você deixa uma obra viva e atemporal que traz uma profunda mensagem de amor, entendimento e paz. Sentimentos que estão imunes à passagem do tempo são maiores que esse limite tão injusto que é a morte.