A paisagem que margeia o Rio Tocantins, na altura da unidade fabril da Suzano em Imperatriz, guarda hoje sinais inquietantes.
Onde antes havia vegetação robusta e o vaivém dos peixes entre as águas, surgem agora manchas de desolação: árvores ressecadas, mata ciliar agredida e ausência de fauna aquática.
Ao que tudo indica, a fábrica estaria despejando resíduos industriais sem o devido controle ambiental.
As denúncias chegaram ao Legislativo Municipal em número suficiente para provocar ação.
O vereador Manchinha (MDB) esteve na área da empresa e relatou preocupação com o que viu.
Segundo ele, os impactos são visíveis e há indícios consistentes de que resíduos tóxicos estão sendo lançados tanto no ar quanto nas águas.
"Há uma força de pressão tão grande na estrutura de descarte que o resíduo se espalha para todos os lados", descreveu Manchinha, apontando que a vegetação ao redor do ponto de descarga está morta.
Apesar dos ofícios encaminhados à empresa cobrando esclarecimentos e estudos técnicos sobre os impactos ambientais, a única resposta recebida até o momento foi a promessa de uma reunião para o próximo dia 21 de maio.
Mayron Régis, presidente do Fórum Carajás — entidade que acompanha conflitos socioambientais na região — esteve no local e oferece um relato que amplia a gravidade do cenário:
“Pudemos ver os resíduos. É bem provável que tanto a mata ciliar quanto o pescado do rio Tocantins estejam contaminados. E, pelo que sabemos, não há fiscalização efetiva. O licenciamento é de responsabilidade da SEMA, mas não há presença do Estado ali.”
A unidade da Suzano em Imperatriz é uma das maiores plantas industriais da companhia, com capacidade de produção de 1,7 milhão de toneladas de celulose por ano.
O processo envolve elevado consumo de água e o uso de compostos químicos, que exigem rigoroso tratamento antes de serem descartados.
O eventual lançamento irregular de efluentes violaria uma série de normativas ambientais em nível estadual e federal.
Enquanto aguarda-se a reunião marcada pela Suzano, cresce a pressão por respostas.
Os moradores ribeirinhos, pescadores e lideranças sociais temem que um novo ciclo de devastação silenciosa esteja em curso pelo acúmulo lento e invisível de resíduos tóxicos que comprometem a vida e o equilíbrio ecológico da região.
A reportagem procurou a Suzano e a SEMA, mas até o fechamento deste texto não obteve resposta.