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Disfunção erétil pode indicar risco cardíaco, diz urologista
Urologista Maxmillan Dutra, o Doutor Max, explica por que queixas sexuais como dificuldade de ereção, desejo reduzido, ejaculação precoce e falta de energia justificam uma avaliação cardiovascular, metabólica e hormonal, e aponta os perigos de rec...
19/10/2026 14h49
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino

Levantamentos nacionais indicam que quase metade dos homens brasileiros convive com algum grau de disfunção erétil. O Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, registrado na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, reuniu respostas de 2.862 homens com mais de 18 anos e encontrou prevalência de 45,1%, dos quais 31,2% em grau mínimo, 12,2% moderado e 1,7% completo. O levantamento associou o quadro à idade, à hipertensão arterial e à depressão e apontou, entre os afetados, prejuízos à autoestima e aos relacionamentos, bem como queixas de pouco desejo e de ejaculação rápida.

Para o urologista Maxmillan Dutra, conhecido como Doutor Max, preceptor da residência de urologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), esses números escondem um aspecto pouco discutido. "Esses sintomas podem dizer muito mais sobre a saúde do homem do que apenas sobre sua vida sexual. Dificuldade de ereção, redução do desejo, ejaculação precoce e baixa energia podem comprometer a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida, mas também podem estar associados a problemas de saúde que precisam ser investigados", afirma.

Circulação sanguínea como indicador

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Uma pesquisa nacional com 71.503 pacientes encontrou algum grau de disfunção erétil em 53,5% deles, proporção que aumentava com a idade e com a gravidade do quadro. Segundo o estudo, tabagismo, sedentarismo, diabetes, hipertensão, colesterol elevado e doenças do coração estiveram associados a maior prevalência do problema.

O Dr. Maxmillan Dutra explica que essa relação tem origem vascular. "A disfunção erétil merece uma atenção especial porque uma boa ereção depende de uma boa circulação sanguínea. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e tabagismo prejudicam os vasos sanguíneos e aumentam tanto o risco cardiovascular quanto o risco de problemas de ereção. Em alguns homens, inclusive, a alteração da função erétil pode surgir antes de manifestações mais evidentes de uma doença cardiovascular", detalha.

A literatura internacional aponta na mesma direção. Uma investigação da Universidade Nacional da Austrália, divulgada pelo HCor, concluiu que homens acima de 45 anos sem histórico cardíaco, mas com disfunção erétil de moderada a grave, podem ter até oito vezes mais chance de desenvolver insuficiência cardíaca. Quanto mais intenso o quadro, maior a probabilidade de internação e de morte por causas cardiovasculares.

Por esse motivo, o urologista defende que a consulta vá além da queixa inicial. "Quando a disfunção erétil aparece associada a esses fatores, não basta apenas prescrever um medicamento para melhorar a ereção. É importante investigar pressão arterial, glicemia, colesterol, peso, saúde hormonal, hábitos de vida e risco cardiovascular", orienta. Na avaliação dele, a falta de desejo e a baixa energia também podem ter relação com alterações hormonais, sono ruim, excesso de peso, estresse, ansiedade, depressão, uso de medicamentos ou outras doenças.

Remédios e hormônios sem indicação

Parte dos homens, porém, procura atalhos. Uma revisão bibliográfica que analisou 18 artigos publicados entre 2020 e 2025 identificou o consumo de tadalafila sem necessidade clínica, motivado pela busca de desempenho, pela influência das redes sociais e por padrões de masculinidade, por vezes combinado com álcool. Em alerta publicado, a Sociedade Brasileira de Urologia Seção São Paulo (SBU-SP) informa que quase um em cada cinco frequentadores de academias em grandes centros já usou anabolizantes e cita riscos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), trombose e infertilidade.

"A busca por uma solução rápida para a dificuldade de ereção pode fazer com que muitos homens recorram, por conta própria, a medicamentos ou até à testosterona. O problema é que, ao tratar apenas o sintoma, uma condição de saúde mais importante pode passar despercebida", adverte o Dr. Maxmillan Dutra. Sobre a reposição hormonal, ele acrescenta: "A testosterona também não deve ser utilizada simplesmente diante de cansaço, queda do desejo ou dificuldade sexual. Esses sintomas podem ter diversas causas, e a deficiência hormonal precisa ser confirmada antes de se considerar uma reposição".

Constrangimento que atrasa o diagnóstico

O silêncio em torno do tema também cobra seu preço. "A vergonha e o silêncio ainda fazem com que muitos homens demorem a procurar ajuda. Existe a ideia de que dificuldade de ereção, perda do desejo ou queda de energia são consequências naturais do envelhecimento, mas nem sempre é assim", observa o médico. De acordo com ele, ao normalizar o problema ou tentar resolvê-lo sozinho, o paciente pode adiar a descoberta de uma doença que ainda não deu outros sinais.

Formado pela UFMG em 1997, com formações em sexologia pela Universidade de São Paulo (USP) e em nutrologia pela USP de Ribeirão Preto, o Dr. Maxmillan Dutra lembra que a queixa íntima costuma abrir portas para outros achados clínicos. "Muitas vezes, o paciente chega ao consultório com uma queixa sexual ou urológica e, a partir dela, encontramos questões que vão muito além: excesso de peso, alterações metabólicas e hormonais, problemas de sono ou fatores de risco cardiovascular", conta.

Segundo o urologista, olhar para o paciente de forma integrada permite agir mais cedo e acompanhar o envelhecimento com foco em prevenção, preservando disposição, sexualidade e qualidade de vida. "A saúde sexual pode funcionar como uma janela para a saúde do homem. Às vezes, uma mudança percebida na intimidade é justamente o primeiro alerta para começar a cuidar melhor do coração e da saúde como um todo", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://drmaxmillan.com/