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Em cenário de juros altos, aluguel de máquinas se consolida
Mercado de locação de equipamentos deve crescer 7% em 2026 e reforça exigência por implementos portáteis mais duráveis, aponta engenheiro da Bristol.
18/09/2026 18h06
Por: Carlos Leen Fonte: Agência Dino

O mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos deve movimentar cerca de R$ 52,9 bilhões em 2026, alta de 7% sobre o ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc). O setor reúne aproximadamente 50 mil empresas e gera mais de 200 mil empregos diretos no país, com uma penetração média de cerca de 40% em relação à propriedade de equipamentos. Isso indica que alugar já é, para boa parte do mercado, uma alternativa consolidada à compra. Parte desse avanço é explicada pelo cenário de juros elevados, que torna o financiamento de equipamentos mais caro e leva empresas de diferentes portes a preservar capital optando pela locação em vez da aquisição direta.

Esse crescimento não se restringe às máquinas de grande porte: também impulsiona a demanda por implementos portáteis, usados em atividades como perfuração de solo, cravação de postes e cortes em campo, operações comuns em obras de infraestrutura, energia e propriedades rurais. Diferente dos equipamentos de grande porte, esses implementos costumam ser operados por equipes de campo, muitas vezes em condições variáveis de solo, clima e logística. Isso exige um padrão diferente de robustez: o equipamento precisa funcionar de forma confiável ainda que esteja fora de um ambiente controlado, com manutenção simples e disponibilidade de peças de reposição.

Além do desempenho técnico, esse tipo de operação requer cuidados que consideram as normas de segurança do trabalho, já que o uso é feito por operadores em campo e não em ambientes fixos de operação, como plantas industriais. Equipamentos como perfuratrizes e martelos hidráulicos, por exemplo, precisam seguir exigências específicas de segurança operacional, o que reforça a importância de fabricantes atentos tanto à durabilidade quanto à conformidade regulatória de seus produtos.

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"Equipamentos portáteis de perfuração ou corte trabalham em condições muito mais expostas do que uma máquina estacionária. Eles passam de mão em mão, rodam em diferentes frentes de trabalho e não podem depender de uma manutenção sofisticada para continuar operando", explica Matheus K. Leite, engenheiro mecânico e gerente de produtos industriais na indústria Bristol.

Segundo Leite, que atua na área de produtos industriais desde 2022 e possui MBA em Gestão de Projetos e Metodologias Ágeis pela PUCRS, o critério técnico que mais pesa nesse tipo de equipamento é a previsibilidade operacional. "Nem sempre compensa ter um equipamento potente que exige um processo complexo de manutenção. O que faz diferença no campo, muitas vezes, é a máquina continuar funcionando com o mínimo de suporte técnico disponível, respeitando as normas de segurança da operação", completa. Para o engenheiro, esse cuidado com a simplicidade de manutenção também impacta diretamente a gestão de frotas por parte de locadoras, que precisam equilibrar disponibilidade de equipamento com custo operacional.

Esse tipo de exigência tem levado fabricantes nacionais a investir em desenvolvimento contínuo de produto e modernização de processos produtivos. É o caso da Bristol, indústria brasileira fundada em 1973, em São Jerônimo (RS), que fabrica perfuratrizes hidráulicas, perfuradores de solo, martelos hidráulicos e implementos para motosserra. A empresa mantém operações em conformidade com a Norma Regulamentadora NR-12 e normas técnicas ABNT, ISO e IEC aplicáveis a seus equipamentos, e possui presença em mais de 8 mil pontos de revenda autorizados no Brasil e em outros países.

O engenheiro acredita que, para o setor, a tendência é que o avanço da economia de locação continue pressionando fabricantes por equipamentos portáteis mais duráveis, de manutenção simplificada e adequados à realidade de uso intensivo em campo — fator que deve pesar cada vez mais na escolha de locadoras e operadores.