A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou na manhã desta quinta-feira (10) uma operação de grande porte para desarticular um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.
A apuração mira o financiamento do filme "Dark Horse", obra audiovisual baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ofensiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, relator do inquérito instaurado a partir de representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Agentes federais cumprem 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Entre os 29 investigados estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), autor das emendas destinadas ao projeto, e a empresária Karina Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment e gestora do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), não é alvo dos mandados desta quinta-feira, embora continue figurando como investigado em procedimento paralelo sob a relatoria do ministro André Mendonça por solicitações de aportes financeiros ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As apurações da PF e da CGU apontam a estruturação de uma organização criminosa que utilizava empresas subcontratadas sem comprovação de serviços para dissimular os desvios, com registros de movimentações financeiras de centenas de milhões de reais estendendo-se até julho deste ano:
Crimes Apurados: Peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações;
Avocação de Inquéritos por Flávio Dino: O ministro do STF puxou para a Corte as investigações da Polícia Civil de São Paulo que apuravam o direcionamento de recursos de um contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo (gestão Ricardo Nunes) com o ICB para a produção da obra cinematográfica;
Manifestação da Defesa: Em declaração à imprensa, Karina Gama afirmou que a aplicação dos recursos ocorreu de forma correta e negou irregularidades.
O avanço da operação ocorre no dia seguinte à decisão do STF que pacificou a manutenção do delegado Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, evitando a interrupção das diligências em curso.
A deflagração da operação da PF sob a chancela de Flávio Dino atinge em cheio a narrativa da oposição conservadora na reta final da campanha presidencial.
Ao demonstrar o uso de emendas parlamentares e verbas de contratos municipais para financiar uma obra cinematográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro, a investigação traz a pauta do combate à corrupção para o centro do debate eleitoral.
Para a candidatura de Flávio Bolsonaro, a operação representa um duplo desgaste.
Embora não seja alvo direto das buscas desta fase, o senador vê a produção do filme vinculada novamente ao escândalo do Banco Master e às conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A ação da PF valida a estratégia do Palácio do Planalto e de Flávio Dino de blindar a autonomia da Polícia Federal, transformando os achados periciais em munição direta no horário eleitoral da base governista.