A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo desdobramento no início da tarde desta quarta-feira (9 de setembro de 2026).
O ministro Flávio Dino concedeu medida liminar para reintegrar imediatamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, aos seus respectivos cargos na corporação.
As funções haviam sido suspensas no dia anterior por determinação do ministro André Mendonça.
Em sua decisão, Flávio Dino determinou que a eficácia de sua medida liminar permanecerá válida até o cumprimento integral das diligências policiais em andamento na Polícia Federal, "sem interrupção decorrente de interferência externa".
Ao contrário do movimento de Mendonça — que remeteu seu despacho à Segunda Turma —, Dino estabeleceu que a sua decisão deve ser submetida exclusivamente ao Plenário do STF, instância máxima composta pelos dez ministros em exercício na Corte.
A recondução atende a uma petição apresentada no âmbito do inquérito que apura suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares voltadas à produção do filme "Dark Horse".
Paralelamente, no campo institucional, a Advocacia-Geral da União (AGU), sob a assinatura do advogado-geral Jorge Messias, acionou o presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitando a suspensão da decisão de André Mendonça sob o argumento de "grave lesão à ordem pública e administrativa".
Fachin concedeu o prazo de 72 horas para que Mendonça preste esclarecimentos sobre o caso.
Pontos Centrais do Embate Jurisdicional na Corte
Reintegração Imediata: Flávio Dino sustenta a continuidade do comando da Polícia Federal para evitar a paralisação de investigações em curso na Corte;
Submissão ao Plenário: Fixação de que o mérito da controvérsia entre as decisões monocráticas deve ser dirimido pelos dez ministros do Plenário, e não por turmas isoladas;
Ofensiva da AGU: Recurso assinado por Jorge Messias aponta risco de colapso na segurança pública e na gestão administrativa do Poder Executivo;
Despacho de Fachin: Presidência do STF abre prazo de 72 horas para manifestação de André Mendonça antes de analisar o pedido de urgência do governo federal.
A reação contundente de Flávio Dino em contraponto à decisão de André Mendonça expõe o ápice da fragmentação interna da Suprema Corte a poucas semanas do pleito de 2026.
Ao avocar a competência do Plenário e reverter a suspensão do comando da Polícia Federal, o ex-ministro da Justiça do governo Lula atua no socorro da estabilidade administrativa da PF, mas explicita a inexistência de um centro gravitacional de consenso no STF.
Para o governo federal, a reintegração de Andrei Rodrigues neutraliza o impacto imediato sobre a segurança e a inteligência do Estado, mas não estanca o desgaste político.
O choque direto entre despachos monocráticos de ministros que acolhem tese da oposição e ministros alinhados à estabilidade do Executivo fragiliza a autoridade do Judiciário, arrastando as instituições policiais para o centro da disputa eleitoral e elevando a pressão sobre a gestão do ministro Edson Fachin na Presidência da Corte.