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Flávio Dino anula afastamento e reintegra cúpula da Polícia Federal em novo capítulo da crise no STF
Ministro do STF suspendeu ordem de André Mendonça e reconduziu Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos; decisão vai ao Plenário da Corte enquanto AGU aciona a Presidência contra lesão à ordem pública
09/09/2026 09h24
Por: Carlos Leen Fonte: Folha
REVIRAVOLTA NO STF: O ministro Flávio Dino reintegrou Andrei Rodrigues e Leandro Almada ao comando da Polícia Federal, suspendendo a decisão de André Mendonça. Imagem: Montagem

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo desdobramento no início da tarde desta quarta-feira (9 de setembro de 2026).

O ministro Flávio Dino concedeu medida liminar para reintegrar imediatamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, aos seus respectivos cargos na corporação.

As funções haviam sido suspensas no dia anterior por determinação do ministro André Mendonça.

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Em sua decisão, Flávio Dino determinou que a eficácia de sua medida liminar permanecerá válida até o cumprimento integral das diligências policiais em andamento na Polícia Federal, "sem interrupção decorrente de interferência externa".

Ao contrário do movimento de Mendonça — que remeteu seu despacho à Segunda Turma —, Dino estabeleceu que a sua decisão deve ser submetida exclusivamente ao Plenário do STF, instância máxima composta pelos dez ministros em exercício na Corte.

A recondução atende a uma petição apresentada no âmbito do inquérito que apura suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares voltadas à produção do filme "Dark Horse".

Paralelamente, no campo institucional, a Advocacia-Geral da União (AGU), sob a assinatura do advogado-geral Jorge Messias, acionou o presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitando a suspensão da decisão de André Mendonça sob o argumento de "grave lesão à ordem pública e administrativa".

Fachin concedeu o prazo de 72 horas para que Mendonça preste esclarecimentos sobre o caso.

Pontos Centrais do Embate Jurisdicional na Corte

 Reintegração Imediata: Flávio Dino sustenta a continuidade do comando da Polícia Federal para evitar a paralisação de investigações em curso na Corte;

 Submissão ao Plenário: Fixação de que o mérito da controvérsia entre as decisões monocráticas deve ser dirimido pelos dez ministros do Plenário, e não por turmas isoladas;

 Ofensiva da AGU: Recurso assinado por Jorge Messias aponta risco de colapso na segurança pública e na gestão administrativa do Poder Executivo;

Despacho de Fachin: Presidência do STF abre prazo de 72 horas para manifestação de André Mendonça antes de analisar o pedido de urgência do governo federal.

A reação contundente de Flávio Dino em contraponto à decisão de André Mendonça expõe o ápice da fragmentação interna da Suprema Corte a poucas semanas do pleito de 2026.

Ao avocar a competência do Plenário e reverter a suspensão do comando da Polícia Federal, o ex-ministro da Justiça do governo Lula atua no socorro da estabilidade administrativa da PF, mas explicita a inexistência de um centro gravitacional de consenso no STF.

Para o governo federal, a reintegração de Andrei Rodrigues neutraliza o impacto imediato sobre a segurança e a inteligência do Estado, mas não estanca o desgaste político.

O choque direto entre despachos monocráticos de ministros que acolhem tese da oposição e ministros alinhados à estabilidade do Executivo fragiliza a autoridade do Judiciário, arrastando as instituições policiais para o centro da disputa eleitoral e elevando a pressão sobre a gestão do ministro Edson Fachin na Presidência da Corte.