A Federação Interestadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Indústria de Celulose e sua Cadeia Produtiva (FETRACEL), organização sindical que congrega bases nos estados do Maranhão, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, marcou presença na 4ª edição do Seminário Anual de Planejamento da Rede Sindical Amazônica (RSA).
O evento internacional foi realizado em Manaus (AM), sob a coordenação da Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) e com apoio do sindicato sueco GS-Facket.
A inclusão do setor florestal e de celulose nos debates da Amazônia Internacional reflete a expansão das cadeias de suprimento e a necessidade de articulação sindical transfronteiriça.
A diretoria da FETRACEL contribuiu para as discussões sobre o Programa de Trabalho Decente para a Amazônia, enfatizando a urgência de garantir transição justa, salvaguardas ambientais, paridade salarial e saúde e segurança nos complexos industriais e florestais que operam no país.
O seminário reuniu delegações sindicais de diversos países do bioma amazônico para alinhar a atuação pós-COP30, consolidando dados da cadeia de valor da madeira e articulando estratégias conjuntas de negociação coletiva frente ao avanço de multinacionais do setor de base florestal.
O plano de ação construído com a participação da FETRACEL estruturou-se em cinco pilares para o movimento sindical:
Direitos Globalizados: Fortalecimento de acordos-marco internacionais e garantias para trabalhadores das multinacionais da celulose e papel;
Justiça Climática e Transição Justa: Inclusão dos trabalhadores como sujeitos decisórios nas políticas de bioeconomia e conservação florestal;
Trabalhadores Saudáveis e Seguros: Rigor na fiscalização de condições operacionais e combate à precarização na colheita e transporte florestal;
Futuro Equitativo e Sindicatos Inclusivos: Ampliação do espaço de liderança para mulheres, jovens e comunidades locais nas negociações trabalhistas;
Incidência Internacional: Organização da bancada amazônica para o 6º Congresso Mundial da ICM.
As indústrias de celulose e papel que operam no Maranhão e no Nordeste dependem diretamente da base florestal de eucalipto e do manejo sustentável, conectando a economia da Região Tocantina aos fluxos de exportação dos portos do Atlântico.
A atuação da FETRACEL na Rede Sindical Amazônica consolida uma visão geopolítica indispensável para o sindicalismo moderno.
Ao unir a força dos trabalhadores do Maranhão aos demais estados da federação (BA, ES e RJ) e aos sindicatos da Amazônia Internacional, a FETRACEL eleva a régua das negociações coletivas.
A ICM junto a entidades internacionais como o GS-Facket sueco faz-se importante para impedir a busca por sustentabilidade e transição energética nos mercados globais seja feita às custas de precarização funcional no Sul do Maranhão ou na faixa amazônica.