Geral Imperatriz
Suzano S/A ergue a gigante Arbex no exterior enquanto operários travam batalha por reajuste em Imperatriz
Negociação liderada pelo sindicalista Anthony Dantas busca reajuste salarial, ampliação de benefícios e garantias de saúde e segurança para a categoria na maior produtora de celulose do mundo.
25/08/2026 08h06 Atualizada há 1 dia
Por: Carlos Leen
CAMPANHA SALARIAL: A diretoria do Sindcelma e a equipe da Suzano iniciaram as negociações do Acordo Coletivo 2026/2027 na unidade de Imperatriz.


O SindCelma (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores e Trabalhadoras nas Indústrias de Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão, Cortiça, Artefatos de Papel e Madeira e Assimilados da Região Sul do Maranhão) ) deu início, na quinta-feira (20 de agosto), às reuniões formais com a equipe de negociadores da Suzano S/A para a construção do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 .

A mesa de negociação é conduzida pelo sindicalista e presidente do Sindcelma, Anthony Dantas, fundador da entidade e figura histórica na pauta de reivindicações trabalhistas da Região Tocantina.

O foco da campanha salarial deste ano centra-se no ganho real para os progressos, manutenção dos direitos conquistados, fortalecimento dos protocolos de saúde ocupacional e redução dos riscos de acidentes no ambiente industrial da planta de Imperatriz.

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Grandeza na Produção na Unidade da Estrada do Arroz

Localizada na Estrada do Arroz, em Imperatriz, a unidade fabril da Suzano iniciou suas operações industriais em 2011, projetada para uma capacidade nominal de 1,5 milhão de toneladas anuais.

Em 2025, a fábrica maranhense bateu recorde histórico ao atingir a marca de 1.760 milhões de toneladas de polpa de celulose produzida.

A unidade de Imperatriz é estratégica na logística global da multinacional brasileira.

A celulose fabricada no Sul do Maranhão abastece os principais mercados internacionais — com destaque para a China — e alimenta internamente a cadeia de papéis tissue (papéis higiênicos, guardanapos e lenços têxteis).

Segundo Anthony Dantas, os índices de produtividade e a rentabilidade gerados pela fábrica de Imperatriz têm papel determinante na capacidade de investimento e expansão internacional do grupo Suzano.

O saldo das operações brasileiras viabilizou aquisições de ativos nos Estados Unidos e consolidou um grupo econômico de liderança mundial nos derivados de madeira e papel.

A declaração desse ciclo de expansão ocorreu em 1º de julho de 2026 , quando a Suzano concluiu a aquisição de 51% da joint venture global de produtos de tecido em parceria com a Kimberly-Clark Corporation. Avaliado globalmente em US$ 3,4 bilhões, o novo conglomerado passou a se chamar Arbex .

A distância entre a sede executiva da Arbex em Londres e a poeira da Estrada do Arroz em Imperatriz resume a contradição da cadeia global de commodities.

O ecossistema econômico de celulose no Sul do Maranhão opera com alta intensidade energética e impacto sobre os recursos naturais locais, mas a captura de valor agregado é transferida para praças financeiras do hemisfério Norte.

O movimento sindical expõe a contradição de uma empresa que investe R$ 6,7 bilhões na compra de ativos na Europa, mas adota postura de contenção orçamentária ao sentar-se à mesa com os trabalhadores locais.

A consolidação da liderança global da Suzano através da Arbex depende da estabilidade operacional das suas plantas produtoras primárias.

Com o peso da nova potência multinacional inaugurada, a diretoria do Sindcelma argumenta que o esforço diário dos operários da planta de Imperatriz deve ser refletido em valorização salarial e participação nos resultados proporcionais aos registros financeiros da companhia.

Atender às demandas por reajuste digno no Maranhão deixa de ser apenas uma concessão trabalhista e passa a ser a condição indispensável para a sustentabilidade do modelo de negócios da própria multinacional.