O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou formalmente a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar as suspeitas em torno do caso "Dark Horse" — nome do filme projetado sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão foi proferida nesta quinta-feira (23) após manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que identificou elementos de informação suficientes para o prosseguimento das diligências.
O foco central da investigação conduzida pela PF, sob a liderança do diretor-geral Andrei Rodrigues, é rastrear o verdadeiro destino de repasses financeiros efetuados pelo empresário e ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
As suspeitas ganharam tração após a divulgação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, solicita recursos a Vorcaro sob a alegação de financiar a produção cinematográfica nos Estados Unidos.
Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do senador Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre o despacho de Mendonça. Em declarações anteriores, o parlamentar assegurou que a captação se restringiu estritamente ao custeio do longa-metragem e negou qualquer tipo de ilícito.
Reações da Produtora, Defesas e Trâmite no STF
A Go Up Entertainment, produtora responsável pela obra, informou em nota nesta quinta-feira (23) que recebeu a determinação do STF com serenidade. A empresa reiterou que já prestou contas preventivas às autoridades competentes, sublinhando que não há conclusão de irregularidades e que continuará colaborando integralmente com o processo investigativo.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também rebateu a hipótese levantada pelos investigadores de que valores repassados por Vorcaro teriam custeado sua permanência em território norte-americano. Eduardo classificou a tese como "tosca", argumentando que seu status migratório à época vedava o recebimento de montantes locais e que comprovou a origem de seus recursos perante as autoridades dos EUA.
A relatoria do caso no Supremo foi atribuída ao ministro André Mendonça no fim de junho pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin. O pedido de apuração também havia sido provocado por representação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), mas a PGR opôs-se à tramitação da petição parlamentar, concentrando a apuração no pleito oficial apresentado pela própria Polícia Federal.