As engrenagens da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) sofreram um forte revés estrutural em seu principal reduto político.
A deflagração de uma operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (7) colocou sob intensa incerteza a pré-candidatura ao Senado do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil). Canella foi alvo de mandados de busca e apreensão e acabou preso em flagrante após agentes federais localizarem um fuzil calibre .556 irregular em seu automóvel.
A ação integra a 6ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação debruça-se sobre um suposto esquema de contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro que, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
A vulnerabilidade jurídica e de imagem de Márcio Canella — historicamente associada à nomeação de integrantes de milícias durante sua passagem pela prefeitura da Baixada Fluminense — já era monitorada com ressalvas pelo comitê do "Zero Um".
Contudo, seu nome havia sido chancelado na chapa majoritária como peça-chave do acordo de composição com o União Brasil, garantindo inclusive a vaga de primeira-suplente para Rogéria Bolsonaro, mãe do senador.
O Efeito Cascata no União Brasil
O desdobramento policial atinge diretamente o desenho proporcional do União Brasil.
O presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados, dependia organicamente do recall e do controle territorial da base eleitoral de Canella para alavancar sua votação.
Rueda esteve presente em agendas recentes na Baixada Fluminense ao lado do ex-prefeito e de figuras do círculo político local sob suspeita de elos com grupos milicianos.
Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Márcio Canella não havia se manifestado formalmente sobre a prisão em flagrante e o teor das investigações do Coaf.