Política Eleições 2026
Operação da PF e prisão de Canella aprofundam crise no palanque fluminense de Flávio Bolsonaro
Alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne por suspeita de lavagem de dinheiro, pré-candidato ao Senado do União Brasil foi preso em flagrante com fuzil irregular; vaga da suplência de Rogéria Bolsonaro entra em colapso.
07/07/2026 20h30
Por: Carlos Leen
DESDOBRAMENTO NACIONAL: A pré-candidatura ao Senado de Márcio Canella (União Brasil) entrou em crise após o político ser alvo de busca e apreensão e detido em flagrante pela Polícia Federal nesta quarta-feira (7).


As engrenagens da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) sofreram um forte revés estrutural em seu principal reduto político.

A deflagração de uma operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (7) colocou sob intensa incerteza a pré-candidatura ao Senado do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil). Canella foi alvo de mandados de busca e apreensão e acabou preso em flagrante após agentes federais localizarem um fuzil calibre .556 irregular em seu automóvel.

A ação integra a 6ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Continua após a publicidade

A investigação debruça-se sobre um suposto esquema de contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro que, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.

A vulnerabilidade jurídica e de imagem de Márcio Canella — historicamente associada à nomeação de integrantes de milícias durante sua passagem pela prefeitura da Baixada Fluminense — já era monitorada com ressalvas pelo comitê do "Zero Um".

Contudo, seu nome havia sido chancelado na chapa majoritária como peça-chave do acordo de composição com o União Brasil, garantindo inclusive a vaga de primeira-suplente para Rogéria Bolsonaro, mãe do senador.

O Efeito Cascata no União Brasil

O desdobramento policial atinge diretamente o desenho proporcional do União Brasil.

O presidente nacional da legenda, Antônio Rueda, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados, dependia organicamente do recall e do controle territorial da base eleitoral de Canella para alavancar sua votação.

Rueda esteve presente em agendas recentes na Baixada Fluminense ao lado do ex-prefeito e de figuras do círculo político local sob suspeita de elos com grupos milicianos.

Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Márcio Canella não havia se manifestado formalmente sobre a prisão em flagrante e o teor das investigações do Coaf.