O avanço da supressão vegetal nas obras de duplicação da BR-010 motivou um protesto de moradores, ativistas e lideranças sociais no perímetro urbano de Imperatriz.
O movimento, organizado com o suporte institucional do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo , defende que a modernização da infraestrutura viária e a segurança dos condutores na Região Tocantina não devem resultar na erradicação sumária da cobertura verde na entrada da cidade.
Os manifestantes ressaltam que a duplicação da rodovia transamazônica é uma demanda legítima e necessária.
Contudo, o núcleo do protesto contesta a ausência de adequações técnicas no projeto original que permitissem preservar espécimes arbóreos históricos em trechos marginais da pista.
"Desenvolvimento e preservação ambiental não precisam caminhar em lados opostos. A duplicação da BR-010 é importante para a mobilidade, mas isso não significa que todas as árvores precisem ser sacrificadas", aponta Conceição Amorim, uma das organizadoras do ato.
O protesto ganhou forte atração pública ao observar uma nítida contradição no cenário local.
Chamou a atenção de ativistas e moradores o fato de que a tradicional cavalgada da cidade , realizada no último sábado (4), utilizou amplamente o benefício e o conforto térmico da sombra das árvores ao longo de seu percurso urbano.
Apesar de o evento ter servido como ponto de encontro massivo e vitrine para a classe política regional às vésperas das convenções partidárias, nenhuma liderança pública ou comissão organizadora esboçou qualquer posicionamento sobre o ritmo das derrubadas na rodovia federal.
As entidades alertam que a perda massiva de biomassa vegetal agrava vulnerabilidades ambientais severas em Imperatriz, tais como:
Ampliação de Ilhas de Calor: Elevação imediata das temperaturas médias próximas às faixas de rodagem;
Perda de Biodiversidade: Destruição de micro-habitats da fauna urbana;
Queda na Qualidade de Vida: Impacto direto na umidade relativa do ar e no conforto de quem vive nos bairros lindeiros à rodovia.
O coletivo afirma que a meta é forçar a abertura de canais de diálogo para avaliar alternativas de engenharia antes que novos trechos sejam afetados.
A cavalgada é o maior evento de mobilização popular e cultural da Região Tocantina, atraindo milhares de pessoas e, consequentemente, funcionando como o palanque perfeito para prefeituráveis, deputados e secretários de Estado consolidarem imagem em ano eleitoral. No entanto, o episódio revela que o conforto proporcionado pela infraestrutura verde da cidade é consumido com entusiasmo na festa, mas ignorado na hora da defesa institucional.
Nos bastidores das articulações para 2026, o silêncio da classe política e dos organizadores da cavalgada tem explicação pragmática: ninguém quer criar atritos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ou com os consórcios responsáveis por uma das obras federais mais aguardadas e potencialidades da região.
Questionar o traçado da duplicação para poupar árvores exige um enfrentamento técnico e burocrático que a maioria dos pré-candidatos prefere evitar para não carregar o rótulo de "entraves ao desenvolvimento".
Em uma cidade conhecida pelas temperaturas extremas como Imperatriz, a perda de áreas sombreadas nas principais articulações de integração urbana cobrará um preço enorme.
Resta saber se a pressão das redes e das ruas após a festa de sábado forçará algum bloco partidário a romper a neutralidade e acampar a busca por uma solução de engenharia sustentável antes do início oficial das convenções.