Geral Diplomacia
Governo Lula reage a Washington, chama Flávio Bolsonaro de “traidor” e alerta para risco ao Pix
Nota oficial aponta ameaça ao sistema financeiro nacional e à soberania.
01/06/2026 09h23
Por: Carlos Leen
DIPLOMACIA: O Palácio do Planalto emitiu nota oficial com fortes críticas à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas

O Palácio do Planalto subiu agressivamente o tom diplomático e político ao emitir uma dura nota oficial em resposta à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

No comunicado, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a articulação conduzida pela oposição como "deplorável" e chamou os integrantes da família Bolsonaro de "falsos patriotas" e "traidores".

A medida anunciada por Washington na última quinta-feira (28) ocorreu na esteira de uma agenda internacional do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

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O parlamentar cumpriu agendas nos EUA com o presidente Donald Trump e integrantes do alto escalão da Casa Branca, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente, JD Vance.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, disparou a nota do governo federal.

Alerta sobre o Pix e cooperação policial

O texto oficial foi chancelado após uma reunião de emergência realizada na sexta-feira (29) no Palácio do Planalto, envolvendo representantes de diversos ministérios para traçar a estratégia de contenção de danos. No documento, o governo brasileiro argumenta que sanções unilaterais impostas por outra nação podem desestruturar o combate ao crime organizado em solo nacional.

Entre os principais riscos apontados pelo Planalto estão:

 Prejuízo à Inteligência: Bloqueio e redução da capacidade de compartilhamento de dados confidenciais e informações estratégicas entre as polícias brasileira e americana;

 Segurança Jurídica: Risco de gerar ações unilaterais que coloquem em risco a vida de civis não envolvidos com as facções;

 Soberania Financeira: Potenciais sanções econômicas internacionais que afetem o sistema financeiro do país e inovações nacionais como o Pix, ferramenta que, segundo o governo, "incomoda interesses estrangeiros".

Apesar do alerta governamental sobre o Pix, analistas de mercado e especialistas financeiros ouvidos pela agência Reuters pontuaram que há um cenário de profunda incerteza sobre como o sistema de pagamentos instantâneos seria afetado na prática, dado que a operação é integralmente desenvolvida, gerida e mantida pelo Banco Central em solo brasileiro.

Defesa da Soberania

A nota do Planalto reforça a narrativa de defesa intransigente da soberania nacional, estratégia que a ala política do governo já sinalizava que seria o principal escudo contra a agenda externa da oposição. O texto reafirma que o Estado brasileiro já trava um combate permanente e prioritário contra as milícias e facções, mas ressalta que as regras do jogo devem ser ditadas internamente.

"A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança", conclui o manifesto.