O Governo Federal oficializou, neste sábado (30), o lançamento da Tela Brasil, uma plataforma pública e gratuita de streaming dedicada exclusivamente ao audiovisual nacional. O evento de inauguração ocorreu na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e desenvolvida tecnologicamente em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a plataforma exigiu um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. O montante financiou o licenciamento do catálogo, a arquitetura digital do sistema e ferramentas de acessibilidade. Para acessar o catálogo, o usuário necessita apenas de uma conta ativa no sistema unificado Gov.br.
Soberania e o gargalo da distribuição
Em seu pronunciamento, o presidente Lula classificou a ferramenta como um instrumento de soberania e identidade nacional, criticando a saturação do mercado cinematográfico por produções estrangeiras. “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver, não permite que a juventude tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, argumentou.
A ministra Margareth Menezes endossou a crítica, apontando que o principal entrave do cinema brasileiro contemporâneo reside na distribuição comercial, e não na capacidade de produção. “Nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso”, pontuou a chefe da pasta.
Acervo inaugural e parcerias
A Tela Brasil inicia suas operações com 555 obras audiovisuais, cobrindo uma linha do tempo que se estende de registros históricos de 1910 a lançamentos de 2025. O acervo inicial está distribuído em:
267 curtas-metragens;
139 longas-metragens;
85 médias-metragens ou telefilmes;
64 obras seriadas.
O catálogo unifica conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e produções preservadas pela Cinemateca Brasileira, Centro Técnico Audiovisual (CTAv), Funarte e Fundação Cultural Palmares. Estão disponíveis clássicos como O Pagador de Promessas, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Central do Brasil, Cidade de Deus e Carandiru. Ao todo, 19 títulos que já representaram o país na disputa pelo Oscar integram a grade.
Durante a solenidade, o MinC também firmou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a TV Brasil, controlada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), visando a reciprocidade de conteúdos e o compartilhamento de redes de transmissão digital.
Perfis de uso e infraestrutura tecnológica
O sistema foi estruturado sob duas modalidades distintas de navegação:
Perfil Cidadão: Destinado ao usuário comum para consumo individual e doméstico;
Perfil Direcionado: Desenvolvido especificamente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, bibliotecas e pontos de cultura.
De acordo com a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que integrou o corpo de pesquisadores da UFAL no projeto, todas as obras selecionadas via edital público contam obrigatoriamente com três recursos integrados: audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Libras. Nesta primeira fase, a plataforma opera via navegadores web de computadores (com suporte para transmissão para Smart TVs). Os aplicativos dedicados para os sistemas Android e iOS serão lançados em um prazo de 30 dias.