Política Eleições 2026
Datafolha: Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno após escândalo do Banco Master
Vantagem do petista salta de 3 para 9 pontos percentuais; 64% dos eleitores tomaram conhecimento do caso “Dark Horse” e rejeitam a conduta do senador do PL.
22/05/2026 16h13
Por: Carlos Leen
O Instituto Datafolha divulgou, nesta sexta-feira (22), o primeiro levantamento nacional após a repercussão das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Redação

A primeira pesquisa nacional do Instituto Datafolha realizada integralmente após a eclosão do escândalo envolvendo o financiamento do filme "Dark Horse" aponta um forte impacto na corrida presidencial. O presidente Lula (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário de primeiro turno, saltando de 3 para 9 pontos de diferença. O petista agora lidera com 40% das intenções de voto, contra 31% do candidato da oposição.

Há uma semana, os dois principais postulantes ao Planalto figuravam em situação de empate técnico, com um placar de 38% a 35%. No cenário de um eventual segundo turno, o equilíbrio numérico anterior em 45% desfez-se: Lula aparece agora com 47% e Flávio Bolsonaro com 43%.

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O impacto da "Rede de Notícias"

O componente explicativo para a oscilação reside no grau de absorção das denúncias pela opinião pública. Segundo o Datafolha, 64% dos entrevistados declararam ter tomado conhecimento das mensagens em que Flávio Bolsonaro cobra repasses milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Dentre os que tomaram ciência do episódio, 64% avaliaram negativamente a conduta do parlamentar.

O levantamento capta o desgaste da imagem de Flávio, que mudou de versão ao longo dos últimos dias — classificando inicialmente as reportagens do site The Intercept Brasil como inverídicas, para posteriormente admitir o pedido de recursos voltados à produção cinematográfica sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Cenário de Primeiro Turno e Demais Candidatos

Atrás de Lula e Flávio Bolsonaro, que seguem isolados na liderança, os demais concorrentes figuram em patamares de empate técnico na margem de erro, que é de dois pontos percentuais:

 Ronaldo Caiado (PSD-GO): 4%

 Romeu Zema (Novo-MG): 3%

 Renan Santos (Missão): 3%

 Samara Martins (UP): 3%

 Augusto Cury (Avante): 2%

 Rui Costa Pimenta (PCO): 1%

 Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%

 Aldo Rebelo (DC): 1% (Nota: A Democracia Cristã retirou o nome de Rebelo da disputa após o registro da pesquisa para avaliar a indicação de Joaquim Barbosa).

Lula também mantém a dianteira nas simulações de segundo turno contra os governadores de direita: lidera por 48% a 39% contra Ronaldo Caiado e replica o mesmo placar (48% a 39%) no embate direto com Romeu Zema.

Índices de Rejeição

O quesito rejeição segue como o principal balizador do teto eleitoral de ambos os lados. O senador Flávio Bolsonaro lidera numericamente o índice, com 46% de eleitores que afirmam não votar nele sob nenhuma hipótese. O presidente Lula figura tecnicamente empatado, com 45% de rejeição. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece na sequência, com 31%.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios brasileiros entre os dias 20 e 21 de maio. O levantamento está devidamente registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07489/2026.

🧠 Análise do Blog: O preço político de ficar sem discurso

Os dados do Datafolha confirmam o que as pesquisas internas dos partidos já sinalizavam: o escândalo do Banco Master quebrou a trajetória de ascensão que Flávio Bolsonaro vinha sustentando desde o início do ano. O maior problema para o pré-candidato do PL não foi o fato de o eleitorado descobrir o financiamento do filme, mas a sucessão de contradições na tentativa de abafar o caso. Negar o fato para depois admiti-lo destrói a blindagem da narrativa.

Com 64% do eleitorado ciente do episódio e reprovando sua conduta, Flávio perdeu o ativo de se apresentar como a face da "nova moralidade" contra o governo. A oscilação abre espaço para que nomes do campo conservador que buscam uma alternativa à polarização — como Romeu Zema e Ronaldo Caiado — passem a tensionar a chapa majoritária com mais agressividade.

Embora o eleitorado de direita mais ideológico tenda a permanecer com o sobrenome Bolsonaro, a perda de pontos no centro é o que decide o segundo turno. Para o PL, a luz amarela acendeu: se o caso avançar na esteira de investigações financeiras, a tese de substituição da cabeça da chapa deixará de ser um boato de bastidores para se tornar uma necessidade de sobrevivência eleitoral.