Há exatos três anos, o Brasil viveu um dos capítulos mais sombrios de sua história republicana.
Em 8 de janeiro de 2023, imagens de destruição, vandalismo e violência política correram o mundo, expondo uma tentativa explícita de golpe de Estado contra o governo recém-empossado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A invasão e a depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) entraram para a história como um ataque frontal à democracia brasileira.
Ao relembrar a data, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) foi enfático ao destacar a gravidade dos acontecimentos e a necessidade de preservar a memória coletiva.
“Há três anos, o Brasil enfrentou uma tentativa de golpe de Estado. Planejaram, inclusive, assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Mas a democracia venceu. E segue vencendo, sem anistia a golpistas”, afirmou.
Milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios em Brasilia e romperam barreiras policiais invadindo as sedes dos Três Poderes.
O rastro de destruição deixou móveis históricos quebrados, obras de arte danificadas e símbolos da República profanados.
O que se via ali era o ápice de uma escalada golpista que vinha sendo construída desde antes das eleições de 2022.
O objetivo era claro: questionar o resultado eleitoral, deslegitimar as instituições e forçar uma ruptura democrática para impedir a posse e a permanência de Lula no poder.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano golpista começou a ser desenhado ainda em 2021, após Lula recuperar seus direitos políticos.
A estratégia incluía ataques sistemáticos ao Supremo Tribunal Federal, a disseminação de desconfiança sobre o sistema eleitoral e a preparação do terreno para contestar o resultado das urnas em caso de derrota.
Após o segundo turno, vencido por Lula com 50,9% dos votos, o país assistiu a uma sucessão de episódios que alimentaram o ambiente de instabilidade: bloqueios de rodovias em todo o território nacional, acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas e atos públicos pedindo intervenção militar.
O movimento ganhou contornos ainda mais graves em dezembro de 2022. No dia da diplomação de Lula, apoiadores do ex-presidente tentaram invadir a sede da Polícia Federal em Brasília, incendiaram veículos e promoveram cenas de violência que chocaram o país. Dias depois, uma tentativa de atentado a bomba nas proximidades do aeroporto da capital federal revelou o grau extremo de radicalização de setores envolvidos na conspiração golpista.
As investigações apontaram que esses atos tinham como objetivo provocar comoção social e criar um ambiente propício para uma ruptura institucional. Parte dos envolvidos já foi condenada, e outros seguem respondendo a processos no STF por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Três anos depois, a data é marcada por atos simbólicos e institucionais em defesa da democracia.
No Palácio do Planalto, o presidente Lula participa de cerimônias que reforçam o compromisso com a ordem constitucional e com a preservação da memória histórica.
O Supremo Tribunal Federal também promove ações dentro da campanha “Democracia Inabalada”, reafirmando que os ataques não serão esquecidos nem relativizados.
Como resume o deputado Márcio Jerry, lembrar o 8 de janeiro não é revanchismo, mas um dever democrático: garantir que a história não se repita e que os responsáveis por atentar contra o país respondam por seus atos — sem anistia, sem apagamento e sem esquecimento.