Política Eleições 2026
Silêncio quebrado, impasse mantido
Depois de meses sem diálogo, Brandão e Camarão voltam a conversar sobre a sucessão — mas a proposta central segue sendo recusada
07/01/2026 23h44 Atualizada há 8 meses
Por: Carlos Leen
Camarão e Brandão, juntos na campanha de 2022 — hoje, separados pela sucessão. Foto: Assessoria

Após um longo período de distanciamento político, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), e o vice-governador Felipe Camarão (PT) retomaram o diálogo nesta quarta-feira, 7.

O gesto, ainda que discreto e sem avanços práticos, recoloca a sucessão estadual no centro da agenda política maranhense.

Segundo os blogs da Capital, a conversa foi revelada inicialmente pelo blog do jornalista Luís Pablo, que informou ter ocorrido no Palácio dos Leões.

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O chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, confirmou que houve contato entre governador e vice, mas afirmou não saber precisar o local do encontro. Felipe Camarão, por sua vez, disse que o diálogo se deu por meio de troca de mensagens.

No mérito, o conteúdo da conversa reafirmou divergências já conhecidas. Brandão voltou a propor que Camarão renuncie ao cargo de vice-governador como parte de um rearranjo político para a sucessão de 2026. A resposta foi imediata e definitiva.

“A chance de eu renunciar é zero”, afirmou Camarão no mesmo dia nas redes sociais, descartando qualquer possibilidade de deixar o cargo.

Apesar do impasse, a reaproximação reabriu expectativas nos bastidores do poder.

Camarão atua para viabilizar sua candidatura ao governo do Maranhão em um cenário marcado por um racha político provocado pelo rompimento de Brandão com o grupo do ex-governador Flávio Dino.

Pelo acordo firmado ainda em 2022, Brandão — eleito com o apoio decisivo de Dino e do PT — deixaria o Palácio dos Leões em 2026 para disputar uma vaga no Senado, abrindo caminho para que o então vice fosse o candidato natural a sucessão.

O roteiro, porém, foi alterado. Nos últimos meses, o governador passou a estimular a construção do nome do sobrinho, Orleans Brandão, como alternativa ao próprio grupo, aprofundando a crise interna.

A disputa ameaça desmontar um palanque estratégico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.