Política Política
RETROSPECTIVA 2025: Entre a Diplomacia Política e o Peso da Herança Maldita em Imperatriz
Rildo Amaral encerra o primeiro ano de gestão consolidando uma política de “portas abertas” que destravou obras históricas, mas enfrenta o desafio de reconstruir bairros inteiros e sanear uma cidade que ainda padece sob o esgoto a céu aberto.
30/12/2025 12h53 Atualizada há 8 meses
Por: Carlos Leen
Rildo Amaral consolidou parcerias estratégicas como motor do desenvolvimento municipal. Foto: Instagram

Quando assumiu a prefeitura de Imperatriz, Rildo Amaral (PP) foi enfático: "Vou bater na porta de quem puder ajudar Imperatriz. E quem estender a mão, eu vou fazer questão de agradecer".

Doze meses depois, o balanço de 2025 revela que a estratégia da gratidão política funcionou como uma chave mestra.

A cidade, que outrora parecia isolada em conflitos institucionais, tornou-se rota obrigatória para autoridades estaduais e federais. Se a política é a arte da composição, Rildo provou ser um exímio maestro ao transformar parcerias em canteiros de obras.

Continua após a publicidade

A Cura pelo Investimento

O salto mais visível ocorreu na saúde. A inauguração de um hospital moderno para média e alta complexidade na Região Tocantina é o maior trunfo da gestão até aqui. Com 153 leitos (incluindo 33 de UTI entre adultas e pediátricas) e capacidade para 400 cirurgias mensais, a unidade promete estancar a histórica dependência de deslocamentos para São Luís.

Internamente, o "Socorrão" — antes símbolo de precariedade — começou a respirar.

Quatro enfermarias foram entregues totalmente reformadas, do piso ao teto. O detalhe, porém, está na engenharia social da gestão: Rildo conseguiu envolver o setor privado e o Judiciário. "Carlos Lucena, da Auto Tintas, doou as tintas; o Ministério Público doou as centrais de ar", pontua o prefeito, que já iniciou a transferência de pacientes para abrir frentes de reforma em novas alas.

Asfalto e Microeconomia

Na infraestrutura, os números impressionam: 100 quilômetros de nova pavimentação em 2025.

O feito, classificado pelo prefeito como inédito, contou com a digital do Ministro do Esporte, André Fufuca, e do Governador Carlos Brandão.

Enquanto as máquinas trabalhavam nas avenidas, a "Feirinha da Prefs" cuidava da base da pirâmide. Desde julho, o projeto movimentou mais de R$ 200 mil em 17 edições, provando que a microeconomia local precisava apenas de um palco para girar.

No campo da segurança, o cumprimento de uma promessa de campanha: a guarda municipal saltou para 101 agentes, reforçando o patrulhamento preventivo.

O LADO B: O DESAFIO DO SANEAMENTO E O ABANDONO DOS BAIRROS

Apesar do entusiasmo, a realidade das ruas impõe um banho de pragmatismo. Nem tudo são flores na "Princesa do Tocantins". A gestão Rildo Amaral herdou um passivo de abandono que o asfalto novo ainda não conseguiu cobrir por completo.

Bairros históricos, como a Vila Nova, apresentam um cenário de destruição que contrasta violentamente com as áreas em desenvolvimento da cidade. Ruas inteiras continuam arrasadas, desafiando a agilidade da Secretaria de Infraestrutura.

Contudo, o "calcanhar de Aquiles" permanece sendo o saneamento básico. Imperatriz ainda vive o drama de uma rede de esgoto praticamente inexistente.

O índice de residências com acesso a tratamento é ínfimo, um problema estrutural que afeta a saúde pública e a valorização imobiliária.

O primeiro ano foi de arrumação da casa e colheita de frutos de parcerias políticas sólidas.

Rildo Amaral entra em 2026 com capital político em alta, mas sob o escrutínio de quem espera que o "renascimento" chegue também minimamente aos bairros.

Se 2025 foi o ano da diplomacia e das grandes obras, 2026 será o ano de enfrentar os problemas crônicos de Imperatriz.