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Bastidores do Poder: O cerco da PF e a “rota do dinheiro” nas cotas parlamentares de Sóstenes e Jordy
O ministro Flávio Dino autorizou a quebra de sigilo bancário dos deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy . A investigação da PF mira um esquema pesado de desvios de cotas parlamentares que pode ter movimentado cifras milionárias.
19/12/2025 14h52 Atualizada há 8 meses
Por: Carlos Leen
Os deputados do PL Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy - Marina Ramos - 9.dez.25; Bruno Spada-24.set.25/Câmara dos Deputados

O ministro do STF, Flávio Dino, deu o sinal verde para uma operação da Polícia Federal que atingiu em cheio o núcleo duro do PL.

O foco?

Um suposto esquema de desvio de recursos públicos através da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) — aquele dinheiro que deveria pagar aluguel de carros e escritórios, mas que, segundo a investigação, pode ter ido parar em bolsos particulares.

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A Quebra do Sigilo: O que Dino quer encontrar

Não é apenas uma busca e apreensão. Dino autorizou a quebra dos sigilos bancários dos deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy .

O "pente-fino" é longo: os pesquisadores vão vasculhar cada transação realizada entre maio de 2018 e dezembro de 2024 .

O que chama a atenção nos bastidores é uma técnica utilizada para tentar driblar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A decisão de Dino aponta para o uso estratégico de saques e depósitos fracionados no valor de R$ 9.999 .

Por que esse número? Porque depósitos de R$ 10 mil disparam alertas automáticos em sistemas de controle. É o clássico "smurfing" ou lavagem de dinheiro em pequenas doses.

O "Clã" dos Assessores e as Empresas de Fachada

A investigação coloca o holofote sobre dois nomes de confiança dos parlamentares: Itamar de Souza Santana (assessor de Jordy) e Adailton Oliveira dos Santos (ligado à liderança do PL comandado por Sóstenes).

A suspeita da PGR é que eles operavam uma conluio empresas utilizando que existiam apenas no papel — as chamadas empresas de fachada .

A locadora de veículos Harue e a Amazon Serviços e Construções são os elos centrais. Segundo o documento, essas empresas receberam verba da cota parlamentar por serviços que podem nunca ter ocorrido ou que foram superfaturados.

Os Números que Impressionam

O volume financeiro movimentado pelo grupo familiar ligado aos assessores (a família Souza Santana) é o que deu “corpo” à denúncia. Sozinhos, quatro investigados movimentaram cifras que não condizeram com suas cargas:

Ao todo, a rede movimentou cerca de R$ 27 milhões . Para a Polícia Federal, há "indícios robustos" daquela estrutura servida para lavar o dinheiro desviado das contas da Câmara dos Deputados.

O que vem por aí?

A operação é um desdobramento de uma ação anterior, ocorrida no final de 2024.

Com o material extraído de celulares e agora com o acesso direto às contas bancárias, a PF busca fechar o cerco sobre os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa .

A defesa dos parlamentares ainda deve se manifestar sobre os detalhes técnicos, mas o impacto político já é sentido: dois dos nomes mais vocais da oposição agora precisam explicar como a palavra relativa ao trabalho legislativo foi parar em contas de assessores com movimentações milionárias.