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COLUNA NEWS LEEN | Por que Felipe Camarão não recua
A afirmação pública de um caminho sem retorno muda o jogo no Estado.
11/11/2025 16h39
Por: Carlos Leen
Camarão articula projeto, base e narrativa antes da disputa de 2026. Foto: Youtube.

Há momentos na política em que um personagem passa a ser a própria mensagem.

Foi isso que se viu na entrevista concedida por Felipe Camarão ao Jornal O Imparcial, nesta terça-feira (11). Assista completo clicando aqui.

Nada de discurso protocolar, nada de frases decoradas. Ali estava alguém que fala por um projeto, não por conveniência.

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Felipe Camarão recordou que antes de chegar a vice-governadoria, era mais técnico do que político no serviço público.

“Eu sempre exerci cargos técnicos”, disse.

Bibliotecas reconstruídas, escolas integralizadas, quadras levantadas em cidades onde antes só havia terra batida. De município em município, ele foi conhecendo o Maranhão real, não o Maranhão das salas refrigeradas, mas o das portas abertas ao meio-dia, das estradas longas, das comunidades que por muito tempo só foram lembradas em época de eleição.

Foi nesse percurso que Camarão aprendeu que política não é um cargo, é uma ideia. E foi essa ideia que reapareceu agora, com a volta dos Diálogos pelo Maranhão - movimento que remete a 2013, quando Flávio Dino percorreu o estado apresentando um projeto de mudança real. Camarão retoma esse caminho com uma afirmação simples: “Temos projeto. E é para todo mundo.”

Não se trata, insiste ele, de um acerto entre grupos, nem de jogo de sobrevivência. A pré-candidatura que ele apresenta para 2026 está alinhada ao pensamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O meu projeto é o projeto do Lula”, disse.

A frase é uma constatação: Lula sempre venceu no Maranhão. Mas o PT jamais governou o estado. Para Camarão, chegou a hora de alinhar o voto ao governo.

Há outro ponto decisivo. Como vice-governador, ele não precisa renunciar ao cargo para concorrer.

Mas fez questão de deixar claro: não cogita renunciar por acordo político nenhum. A frase veio firme, quase cortante. “Não estou na política para fazer conchavo ou familismo. Estou por um projeto.”

É um recado que resume o momento político do estado: há quem espere uma conciliação.

Há quem aposte no desgaste.

Há quem queira empurrá-lo de volta para a fileira dos coadjuvantes. Mas Camarão parece ter feito sua escolha - e ela é pública, explícita, irreversível.

Por enquanto, o que se tem é um vice-governador que fala como candidato. E um projeto que insiste em não recuar.