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COLUNA NEWS LEEN | Edição: Como o Maranhão mergulhou em sua maior crise política desde 2014
Entre áudios vazados, acusações cruzadas e reuniões tensas, a unidade política entre dinistas e brandonistas chega ao colapso final.
23/10/2025 17h27 Atualizada há 10 meses
Por: Carlos Leen
Em reunião com Gleisi Hoffmann, Ana Paula Lobato e Márcio Jerry cravam apoio a Camarão do PT e encerram qualquer tentativa de reaproximação com o governador. Foto: Assessoria

O que estava ruindo, virou rompimento.
Na tarde da terça-feira (21), os remanescentes do chamado “dinismo” selaram o fim da aliança com o governador Carlos Brandão (sem partido).

Em reunião com a ministra da Articulação Institucional, Gleisi Hoffmann (PT), a senadora Ana Paula Lobato (PSB) foi taxativa: não há mais espaço para reconstrução política com Brandão.

Falando em nome do PSB, Ana Paula reafirmou apoio integral ao vice-governador Felipe Camarão (PT), que desponta como pré-candidato ao governo em 2026.

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O gesto contou com endosso imediato do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), também presente ao encontro.

Poucas horas depois, Jerry dividiu a mesa com os deputados estaduais Othelino Neto, Carlos Lula, Rodrigo Lago e Leandro Bello em uma coletiva na Assembléia Legislativa do Maranhão.

O tema: as gravações clandestinas que sacudiram os bastidores da política maranhense.

As conversas, supostamente registradas em 2024, ganharam repercussão apenas nas últimas semanas, após a Revista Veja procurar os envolvidos para ouvir suas versões. Entre eles, Rubens Pereira Jr. (PT) e o próprio Márcio Jerry — ambos alvos diretos das gravações ilegais.

A reação já havia sido feita do outro lado do tabuleiro. Em nota, o presidente estadual do MDBMarcus Brandão — irmão do governador — afirmou que os áudios e prints divulgados têm o mesmo teor de diálogos que manteve pessoalmente com Rubens Jr.

“Rubens tinha a melhor das intenções quando trouxe o recado supostamente do ministro Flávio Dino”, disse Marcus, em tom de ironia contida.

A resposta, contudo, não ficou sem troco. Da coletiva, Márcio Jerry devolveu com verbo:

“O governo encerrado em 2022 jamais quis permanecer no comando da gestão. O que se quis foi que o governo avançasse no ciclo virtuoso iniciado sob a liderança de Flávio Dino. Mas o diálogo foi rareando na medida em que Brandão se distanciava dos princípios republicanos e acentuava o caráter familiar e patrimonialista.”

O embate escancarou o que já estava evidente: o colapso definitivo da antiga coalizão que por quase uma década sustentou a hegemonia do grupo no poder.

Nos bastidores de Brasília, o clima é de apreensão. Fontes próximas ao Palácio do Planalto afirmam que o presidente Lula deve ainda buscar uma conversa direta com o governador Carlos Brandão, mas — como se diz nos corredores — em outros termos.

Porque, no Maranhão, a unidade que já parecia difícil agora entrou de vez no campo do impossível.