Política Política
A esperteza política de JP e o preço da duplicidade
Josivaldo JP tentou equilibrar-se entre Lula e o eleitorado de direita — mas caiu do trapézio político quando seu indicado foi demitido
14/10/2025 11h44 Atualizada há 10 meses
Por: Carlos Leen
Josivaldo JP tentou agradar os dois lados — mas o Planalto não perdoou a malícia disfarçada de neutralidade.Foto: divulgação.

No Maranhão, o tabuleiro do poder em Brasília anda mais animado que festa de São João fora de época.

E a música que toca, todos já conhecem: “Quero o poder de ser governo, pra continuar na festa; mas não quero apoiar o governo pra bancar o isentão de direita"

Depois de Lena Brandão, irmã do deputado Pedro Lucas Fernandes (União), ter sido convidada a deixar o comando do Iphan no Maranhão, foi a vez de Wellington Reis arrumar as malas. O ex-superintendente de Agricultura e Pesca, indicado por Josivaldo JP (PSD), teve o mesmo destino: a porta de saída do governo federal.

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Coincidência? Só se for astrológica. Porque o que se repete mesmo é o roteiro: deputados que votaram contra o governo Lula em medidas provisórias “sensíveis” — como a da taxação de grandes setores econômicos, incluindo bancos e bets — estão vendo seus indicados federais sumirem do mapa.

Wellington Reis havia assumido o cargo em junho de 2023, quando o PSD ainda ensaiava aquele namoro de conveniência com o Planalto.

Na época, Josivaldo JP, que sonhava com a prefeitura de Imperatriz, tentou dar um nó político digno de manual de sobrevivência: indicou o aliado, mas atribuiu a indicação ao suplente Edilázio Júnior, para não ficar mal com o eleitorado de direita. Um verdadeiro ato de contorcionismo político — daqueles que fariam inveja a qualquer ginasta olímpico.

Mas o tempo passou, a MP veio, o voto foi contra o governo — e o governo, como quem anota tudo num caderninho de fiado, fez o que tinha que fazer. Resultado: Wellington fora.

Pedro Lucas, que também votou contra o Planalto, viu a irmã perder o posto. E agora, os rumores são de que o próximo da fila é Cysne Aderaldo, indicado por Marreca Filho (PRD) para a Conab.

Parece que o voo das demissões ainda não pousou.

Enquanto isso, as cadeiras federais seguem girando.