A crescente divisão na base governista do Maranhão acendeu o alerta no Palácio do Planalto.
O presidente Lula (PT) entrou pessoalmente em campo para tentar conter o conflito entre o governador Carlos Brandão (sem partido) e o grupo político ligado ao ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do STF.
Durante visita a Imperatriz, onde inaugurou o conjunto habitacional Canto da Serra, Lula fez um apelo público pela unidade de seus aliados. Em entrevista à TV Mirante, o presidente foi direto:
“Na hora que a gente começa a brigar dentro de casa, a desavença chega a um nível que não conserta mais. Se brincar em serviço, a gente acaba dando para o adversário uma chance que ele não tem hoje.”
O cenário político maranhense se torna cada vez mais imprevisível.
Brandão tenta consolidar o nome do sobrinho, Orleans Brandão (MDB), como seu sucessor, enquanto o vice-governador Felipe Camarão (PT) mantém-se firme na intenção de disputar o Governo do Estado em 2026, com apoio do campo político que remonta aos governos de Dino.
Nos bastidores, a cúpula petista reconhece a dificuldade de reconciliação.
A avaliação é que o rompimento entre brandonistas e dinistas já passou do ponto de retorno.
A relação, antes marcada por pragmatismo, azedou de vez após a mudança no comando estadual do PSB, que agora tem a frente a senadora Ana Paula Lobato, próxima de Dino. A saída de Brandão do partido apenas confirmou o afastamento político.
Além de divergências sobre a sucessão, há disputas por espaço em cargos e influência institucional — da Assembleia Legislativa ao Tribunal de Contas do Estado.
“O presidente Lula sinalizou pela pacificação e vai conduzir as negociações para construir um caminho de unidade”, afirmou o deputado federal Rubens Pereira Júnior (PT).
O governador, por sua vez, tenta reforçar sua base com o apoio de cerca de 180 prefeitos e partidos de perfil conservador, como o PP do ministro André Fufuca (Esportes) e o União Brasil, do deputado Pedro Lucas Fernandes. Do outro lado, o grupo de Camarão aposta na força do PT e na proximidade com o presidente Lula para consolidar sua candidatura.
Enquanto isso, nomes da oposição — como o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o ex-prefeito Lahesio Bonfim (Novo) — observam de camarote a crise governista, prontos para ocupar o espaço deixado pela divisão.
Lula e Brandão devem se reunir esta semana para discutir uma possível trégua. Até lá, o clima segue de desconfiança — e a sucessão de 2026 vai se tornando o principal teste de fidelidade entre antigos aliados.